quinta-feira, 28 de abril de 2011

Porquê pedalar e andar a pé? (vídeo)

Alguns dos benefícios de andar a pé e de bicicleta em vez de usar veículos a motor.

terça-feira, 26 de abril de 2011

World Bicycle Relief - melhorar as condições de vida nos países em desenvolvimento

A bicicleta é vista muitas vezes como um objeto de luxo, como um brinquedo ou objeto de lazer ou ainda como coisa de pobres. No entanto, a bicicleta em geral encerra em si várias características que a tornam como um meio de transporte ideal para pequenas e médias distâncias, independentemente da idade ou da classe social. É um meio de transporte não-poluente, económico, silencioso, saudável, altamente eficiente em termos energéticos e, comparativamente com o automóvel, ocupa muito menos espaço em casa, no trabalho ou na via pública.

As suas potencialidades são praticamente inesgotáveis, e isso é o que nos provam não só as experiências urbanas em alguns países desenvolvidos (Holanda, Dinamarca, etc.), mas também um certo número de projetos de beneficência nos países menos desenvolvidos. É o caso, por exemplo, do World Bicycle Relief, que tem mudado para melhor muitas vidas, simplesmente disponibilizando bicicletas às comunidades e formando mecânicos para atuarem no terreno. Trata-se de um projeto que tem tido presença em países como a Zâmbia, o Quénia, o Zimbábue e Sri Lanka.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Wheels for Wellbeing - um programa de ciclismo inclusivo

Wheels for Wellbeing (em inglês, "rodas para o bem-estar") é um programa de beneficência existente no Reino Unido que tem por objetivo encontrar formas de ajudar pessoas com algum tipo de deficiência ou incapacidade a utilizar bicicletas (para transporte, melhorias de saúde, etc.).

Depois de ver o vídeo abaixo, a primeira questão que me vem à mente é: quando veremos um programa deste tipo em Portugal? É um daqueles vídeos que vemos uma vez e desejamos ver o mesmo acontecer à nossa volta. E depois, aquele sentimento pouco agradável, e perceber que em algumas áreas estamos mesmo atrasados e temos ainda um longo caminho a percorrer...

sábado, 23 de abril de 2011

Páscoa feliz!

Desejo uma Páscoa feliz para todos os leitores do Sempre de Bicicleta.

P.S.: Confesso que esta moda do coelhinho e dos ovos de Páscoa ainda não me convenceu, mas um ovo de Páscoa que escolhe andar de bicicleta deve certamente merecer o nosso respeito :-)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Bike boxes: prioridade aos ciclistas nos semáforos

Em Portugal ainda é pouco frequente encontramos nas ruas sinalização vertical e horizontal destinada a ciclistas. Comparando com o que podemos encontrar em diversas cidades europeias e americanas, ficamos com a sensação de que estamos um pouco atrás no tempo. E não são só ciclovias e placas que andamos a perder. Para o exemplificar, poderíamos recorrer aos inúmeros exemplos retirados das ruas de Amesterdão, Berlim, ou Copenhaga...

Hoje partilho convosco uma das soluções simples e pouco dispendiosas que facilitam a vida aos ciclistas em cidades como Londres, Portland, Bristol ou Nova Iorque. Pode ser que, um dia destes, os nossos autarcas, ou quem manda afinal na nossa rede viária, se decidam a aplicar algumas destas ideias...

Há quem lhes chame bike boxes (caixas de/para bicicletas), mas o nome mais formal será antes Advanced Stop Line, ou Advanced Stop Box. Com simples marcações na estrada (e eventual sinalização vertical de apoio), define-se uma área onde só podem parar certos tipos de veículos (p.ex. bicicletas), ficando estes com uma posição de arranque avançada quando o sinal muda de vermelho para verde. Ou seja, a fila de automóveis deve parar um pouco mais atrás, de modo a reservar esse espaço para as bicicletas e/ou motos.

As bike boxes estão geralmente associadas à existência de uma faixa reservada a ciclistas. A principal vantagem prende-se com o facto de aumentar a visibilidade do ciclista nos cruzamentos, reduzindo a probabilidade de colisão com outros veículos. Evidentemente, o ciclista só deverá usar uma bike box se o sinal estiver vermelho. Se estiver verde, deve seguir o fluxo do trânsito.

Uma vantagem suplementar é que os peões que atravessem numa passadeira em frente a uma bike box estarão também protegidos pela distância adicional aos veículos motorizados.

No seguinte vídeo, podemos ver como se usam as bike boxes na cidade de Nova Iorque:

Eu gosto particularmente das bike boxes verdes que foram implementadas há alguns anos na cidade americana de Portland, que me parecem ainda mais fáceis de usar pelo facto de estarem bem mais visíveis e destacadas:

Encontros com Pedal, em Braga

Depois da realização das primeiras edições da Massa Crítica Braga, desde janeiro deste ano, não demorou muito para que a cidade mostrasse vontade de abraçar a bicicleta como veículo de eleição. O domingo passado, decorreu no centro de Braga a segunda edição dos Encontros com Pedal, "para conhecermos mais e melhor a cidade em que vivemos e as pessoas com quem convivemos".

O lema destes Encontros é Viver Mais, partindo de bicicleta à descoberta dos recantos da cidade, sem pressas e na companhia de um agradável grupo de amigos. Porque Braga tem excelentes condições para rapidamente acolher um número crescente de utilizadores assíduos da bicicleta como meio de transporte, eventos como este têm o mérito de trazer para dentro da cidade, num contexto descontraído, muitos ciclistas que noutras circunstâncias dificilmente se aventurariam a pedalar nas ruas. Os Encontros com Pedal têm ainda o mérito de englobar ciclistas de todas as faixas etárias, dos mais pequenos aos mais idosos - porque pedalar (e conviver) é para todas as idades.

Esta nova iniciativa vem provar que Braga é uma cidade viva e com vontade de encontrar novas formas de estar e de conviver. É certo que são necessárias e indispensáveis algumas medidas importantes ao nível do urbanismo, mas a consciencialização de autarcas e outros responsáveis depende em larga medida da iniciativa dos cidadãos. É, pois, fundamental que as bicicletas saiam à rua e reivindiquem o espaço que é seu por direito. O resto virá por acréscimo...

Aos organizadores do evento, parabéns pela iniciativa! Que cada um destes Encontros com Pedal seja um espaço de estreitamento de laços entre vizinhos e amigos, bem como uma escola (para miúdos e graúdos) em termos de sensibilização para o uso da bicicleta enquanto meio de transporte útil, agradável, divertido e seguro.

(Fotos retiradas da página oficial dos Encontros com Pedal no Facebook)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

De bicicleta na cidade: devemos andar pelos passeios?

Diz o senso comum que na cidade o lugar mais seguro para andar de bicicleta são os passeios e bermas. Tenho vindo a observar, a este propósito, que alguns ciclistas urbanos preferem pedalar pelos passeios, mesmo em ruas com bom piso e pouco movimento. E embora compreenda em parte os motivos que levam a esse tipo de comportamento, creio ser uma prática a evitar, por vários motivos.
 

1. Andar de bicicleta nos passeios é ilegal

Ainda que o Código da Estrada português apresente ainda algumas lacunas em matéria de inclusão e proteção dos ciclistas, convém ter presente que é o Código da estrada que dita as regras de circulação na via pública e que este deve ser cumprido sempre que possível. Por isso, um dos motivos para circular de bicicleta na faixa de rodagem e não nos passeios é precisamente porque a lei assim determina. No passeio, de acordo com o CE, os ciclistas devem desmontar e levar a bicicleta pela mão.

2. Andar nos passeios é perigoso

Há vários perigos à espreita nos passeios. Boa parte deles são demasiado estreitos e têm buracos ou outros obstáculos que dificultam imenso a circulação dos ciclistas: é frequente haver degraus, pilaretes, árvores, bancos, postes, marcos de correio, sinais de trânsito, etc.

Quem vai a sair de um edifício geralmente não espera que venha uma bicicleta a circular no passeio, o que pode originar acidentes de certa gravidade. Além disso, os passageiros dos carros estacionados junto ao passeio podem a qualquer momento abrir as suas portas, resultando num dos tipos de acidentes mais frequentes com ciclistas.

3. Pelo passeio demoramos mais tempo

Os passeios estão concebidos para a circulação de peões, não de bicicletas. O trânsito pelos passeios é forçosamente mais lento do que na faixa de rodagem. Por um lado, porque é necessário dar inteira prioridade aos peões. E, por outro lado, porque os passeios há inúmeros obstáculos para os veículos de duas rodas. Um ciclista que evite sistematicamente a faixa de rodagem e circule somente pelos passeios vai certamente demorar muito mais tempo a chegar ao seu destino, correndo muito provavelmente alguns riscos desnecessários.

4. Defenda os seus direitos!

Você tem o direito de circular de bicicleta na faixa de rodagem (exceto, naturalmente, em autoestradas e outras vias devidamente sinalizadas). Os condutores de automóveis e outros veículos motorizados têm o dever de partilhar a via pública com todos os veículos, incluindo as bicicletas. Não abdique dos seus direitos.

Ao seguir pela faixa de rodagem, está a contribuir para educar os condutores, acostumando-os à presença dos ciclistas na via pública. Uma maior visibilidade da bicicleta enquanto meio de transporte é um contributo essencial para a melhoria das condições de segurança para ciclistas. À medida que os condutores se vão habituando a circular junto com os ciclistas, tornam-se mais atentos e cuidadosos. Há estudos que mostram que, à medida que aumenta o número de ciclistas nas ruas, aumenta também a sua segurança, diminuindo o número e gravidade dos acidentes.


...relativizar onde é preciso

Devemos conhecer e respeitar o Código da Estrada sempre que ele defende a nossa segurança e a dos que nos rodeiam. O bom senso é útil para ajudar a discernir algumas situações onde podemos relativizar algumas regras. Em alguns casos, pode ser aceitável e até recomendável circular pelos passeios.

Um exemplo simples: numa via de alta circulação automóvel, com uma subida acentuada e velocidades de 70km/h ou mais, uma bicicleta pode efetivamente correr alguns riscos. Ainda que o seu lugar por direito e por dever seja na faixa de rodagem, se houver um passeio suficientemente largo, com piso apropriado e onde estejam a circular poucas pessoas, pode ser boa ideia seguir temporariamente pelo passeio. Obviamente, dando sempre prioridade aos peões, e acautelando todo o tipo de situações imprevistas: alguém que sai de um carro ou de um edifício, peões que mudam de repente de direção, crianças que correm ou brincam no passeio, etc.