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domingo, 22 de janeiro de 2012

A primeira resposta à Carta Aberta

Na sequência da minha recente Carta Aberta aos órgãos autárquicos locais, recebi poucas horas depois uma resposta da Junta de Freguesia. Aparentemente, pouco mais podem fazer do que alertar o Departamento de Trânsito da CMB e para ele encaminhar este tipo de contactos. Saúdo a rápida resposta desta instituição, mas ficarei a aguardar uma resposta, que espero ser um pouco mais substancial, da parte da Câmara Municipal…

 

De: Junta de Freguesia de S. Victor (Presidente)
Enviada: sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012 15:54
Para: 'Freguesia de S. Victor - Braga (Geral)'
Assunto: RE: Carta aberta à Câmara Municipal de Braga e Junta de Freguesia de S. Vítor

Para enviar ao autor da CARTA ABERTA

Recebemos e damos boa nota das preocupações quanto à avaliação pessoal que fez da situação do tráfego na Avenida Antero de Quental, nesta Freguesia.
Como somos “visados directos na carta aberta” que nos fez chegar, do mesmo modo que à comunicação social, o que saudamos, sempre poderemos adiantar que “em sede própria” muito antes desta nota, já endossamos junto da “única entidade competente” o Departamento de TRÂNSITO da Câmara Municipal de Braga, um conjunto de sugestões tendo em vista a melhoria da fluidez do tráfego e da segurança de automobilistas e de peões, naquele como noutros locais da nossa Autarquia. Reconhece e ainda bem alguns efeitos positivos de algumas medidas ali implementadas, pelo que nesse sentido iremos endossar à Câmara Municipal de Braga, pela “via Institucional” o seu conjunto de análise e sugestões.
Apresentamos desde já os nossos cumprimentos,

Firmino Marques
Presidente da Junta de Freguesia de São Victor


Abaixo deixo uma foto que mostra um dos sentidos de trânsito da avenida em questão, com estacionamento automóvel de ambos os lados e entrecortada por vários cruzamentos. Um dos problemas é que o estacionamento na parte central vai até junto aos cruzamentos, retirando a visibilidade necessária aos condutores. Há constantemente acidentes nesses cruzamentos e, ocasionalmente, há até dificuldade de manobra com veículos pesados, que não conseguem curvar por causa dos carros estacionados. Adicionalmente, as passadeiras existentes, para além de mal instaladas, são em número e localização insuficiente, tendo em conta a proximidade do centro comercial e do ecoponto.

Uma nova revista portuguesa sobre a Cultura da Bicicleta

Saiu recentemente a público uma nova revista trimestral dedicada a todos aqueles que gostam de bicicletas. Chama-se B - Cultura da Bicicleta, é escrita por uma equipa notável e vem trazer uma lufada de ar fresco à imprensa da especialidade em Portugal.

Apesar da ampla distribuição que teve este primeiro número, por todo o País, não foi nada fácil encontrar em Braga um exemplar disponível! Esgotou em todos os quiosques que a tiveram, e só encomendando um exemplar num deles foi possível receber finalmente a revista.

Tinha ouvido falar nela algures na Internet, e sabia que alguns dos membros da equipa eram pessoas bem conhecidas em Portugal no âmbito da promoção da "bicicultura". A equipa "B" inclui:

  • Pedro Carvalho, fundador da Bike magazine e amante do BTT;
  • Hugo "Boinga" Cardoso, outro amante do BTT, que também já colaborou regularmente com a Bike magazine, foi editor da revista Onbike Portugal e participa frequentemente na Cicloficina e na Massa Crítica do Porto);
  • Miguel Barroso, um arquiteto especializado na área da sustentabilidade que, para além de utilizar a bicicleta diariamente para o trabalho, é conhecido pelo seu famoso Lisbon Cycle Chic;
  • Sofia Torrão, engenheira, que recentemente redescobriu a bicicleta como meio de transporte;
  • Manuel Portugal, amante da fotografia e da bicicleta;
  • Edgar Antunes, de quem não sei muito mais, para além de ser um especialista operacional na área do grafismo e também gostar das duas rodas.

A capa do nº 1 da revista B destaca um artigo sobre "Os melhores destinos de BTT em Portugal". Confesso que o ciclismo desportivo não ocupa grande lugar na minha vida, mas reconheço que é sem dúvida aquilo que move mais ciclistas em Portugal. Ao ver esse tema destacado na capa, por momentos receei que talvez afinal esta revista não fosse bem aquilo que eu esperava. Mas mal a abri, vi que o conteúdo se destacava claramente de todas as outras revistas de bicicletas que tenho encontrado à venda por cá. O BTT continua a ocupar uma parte substancial da revista - e faz sentido, dado que é a modalidade de ciclismo mais popular - mas sob uma perspetiva diferente: a ênfase não é colocada nos componentes mecânicos, na tecnologia e nas técnicas de treino, mas sim na experiência, no prazer de pedalar, conviver ao ar livre e apreciar as paisagens. Gostei também de ver um artigo dedicado à temática ambiental, salientando a necessidade de assegurar a preservação dos trilhos e dos ecossistemas em torno deles.

Por outro lado, a revista acolhe também a temática do ciclismo utilitário, o desenvolvimento da bicicultura na Europa e em Portugal, e tem artigos dedicados à Massa Crítica e a algumas lojas e fabricantes de bicicletas portugueses. Para quem se interessa por ciclismo utilitário, este número apresenta um tipo de bicicleta diferente e especial - uma bicicleta de carga da marca dinamarquesa Bullit, com muito estilo e capacidade para "180 quilos de carga e ciclista". Um outro artigo interessante apresenta-nos o projeto Wheels 4 Life, que mostra como uma bicicleta aparentemente insignificante pode mudar radicalmente para melhor a vida de uma família ou de uma comunidade.

Vale a pena ler e, quem sabe, até mesmo assinar esta nova revista, que vem promover um estilo de vida saudável e sustentável. Parabéns à equipa B!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Carta aberta à Câmara Municipal de Braga e Junta de Freguesia de S. Vítor

Farto de assistir a acidentes patetas, completamente indesejáveis e perfeitamente evitáveis na minha rua, decidi enviar uma carta aberta aos órgãos autárquicos locais. Não sei se terá algum efeito prático imediato, mas espero que contribua para sensibilizar os responsáveis para as questões que afetam o bem-estar dos cidadãos. Logo que tiver uma resposta de uma ou de outra parte, darei aqui conhecimento da mesma.


Ex.mos Srs.

Venho trazer ao v/ conhecimento uma situação de alguma gravidade na qual considero que a Autarquia tem uma quota de responsabilidade, se não nas causas, pelo menos na sua possível resolução. Trata-se do ordenamento de trânsito na Avenida Antero de Quental (junto ao centro comercial Braga Parque) e ruas adjacentes.

Quando esta área comercial e habitacional foi criada, a Av. Antero de Quental tinha duas faixas de circulação em cada sentido, e mais duas filas de estacionamento nas bermas (uma em cada sentido de circulação). Na altura, recordo-me de ver que o excesso de viaturas automóveis estacionadas era tal que os automobilistas começaram a estacionar ilegalmente na via pública, junto ao separador central. A resposta da autarquia, ou da autoridade com competência nessa área, passou por institucionalizar esse estacionamento que antes era ilegal. A partir daí, passou a haver apenas uma via de circulação em cada sentido (que considero suficiente) e quatro faixas para estacionamento automóvel (as duas já existentes nas bermas, mais duas junto ao separador central). Isso permitiu acolher aproximadamente o dobro dos automóveis, mas criou outros problemas. Para além do número de passadeiras insuficientes para os moradores da Avenida que se deslocam ao BragaParque ou ao ecoponto que se encontra junto ao centro comercial, o estacionamento junto ao separador central veio reduzir a visibilidade nos cruzamentos com a Rua Álvaro Dória, entre outras.

A situação é particularmente grave porque está constantemente a haver acidentes nesses cruzamentos. Ainda que caiba aos automobilistas moderar a sua velocidade e assegurar a correta observância das regras de prioridade, enquanto morador considero que é praticamente inexistente a fiscalização pelas autoridades e, mais grave ainda, é extremamente difícil antever os veículos que se aproximam da esquerda dado que os veículos estacionados no centro até ao próprio cruzamento retiram a visibilidade.

Adicionalmente, é com alguma frequência que os veículos pesados longos que passam nesta zona não conseguem manobrar nos cruzamentos por causa do estacionamento excessivo.

Possíveis soluções poderiam passar por uma ou várias das seguintes medidas:

a) Eliminar completamente o estacionamento no meio da via, reservando o espaço adicional para passeios mais largos e/ou ciclovias de cariz utilitário.

b) Em alternativa, no mínimo, encurtar o estacionamento de modo a reservar alguns metros livres, que assegurem uma boa visibilidade em todos os cruzamentos,

c) Outra possibilidade a considerar seriamente seria implementar uma "Zona 30", com prioridade a peões e ciclistas, à semelhança do que já vai sendo feito noutros países europeus, nas zonas habitacionais.

d) Fiscalizar regularmente o estacionamento e o cumprimento de limites de velocidade na área em questão.

e) Criar estacionamento seguro e em quantidade alargada para bicicletas (seguindo as recomendações de design e localização da MUBI e da FPCUB) junto ao Braga Parque, de modo a reduzir a necessidade de recorrer ao automóvel para as deslocações a esta zona.

Porque o desenvolvimento de uma cidade não se mede na quantidade de automóveis que nela estacionam ou circulam, mas sim na qualidade de vida e no bem-estar dos cidadãos, é urgente repensar a cidade de Braga a uma nova luz. O automóvel não pode ser o objetivo principal das políticas de urbanismo: em primeiro lugar estão os cidadãos e o seu bem-estar. Daí que seja essencial apostar em boas condições para quem anda a pé ou de bicicleta (mesmo os próprios automobilistas também são peões quando não estão a usar o carro).

Espero que esta comunicação possa contribuir para a melhoria futura das condições de vida nesta zona e na cidade de Braga, e gostaria de receber uma resposta da v/ parte relativamente à posição da autarquia quanto aos assuntos expostos.

Sem outro assunto de momento, subscrevo-me com os melhores cumprimentos.
Victor Domingos

domingo, 16 de outubro de 2011

Sobre a necessidade de ciclovias

Sempre que se fala de promoção do uso da bicicleta na cidade, discute-se a necessidade de ciclovias. Não sou nenhum perito em urbanismo ou em ordenamento de trânsito mas, enquanto cidadão e utente das ruas e da bicicleta, tenho algumas humildes opiniões sobre o assunto. Acrescente-se a isto que a minha experiência e as minhas sugestões mais específicas referem-se quase sempre à cidade de Braga, onde resido atualmente e onde vou votar em todas as eleições (leram bem isto, senhores governantes?).

As ciclovias, se forem bem pensadas e bem implementadas no contexto de uma rede de vias cicláveis (ou seja, o conjunto dos diferentes tipos de vias onde circularão as bicicletas na cidade e arredores), podem ser uma peça importante na criação de condições para uma maior utilização da bicicleta nesta cidade.

Devem ligar de forma lógica e integrada, e bidireccionalmente, todos os pontos principais da cidade, incluindo as estações terminais de transportes públicos, zonas e centros comerciais, polos empresariais ou industriais, zonas habitacionais, áreas de lazer e de desporto, escolas e universidades.

Na concepção de vias cicláveis segregadas (ciclovias, ciclofaixas…), deve evitar-se alguns erros infelizmente muito comuns. Por exemplo: roubar espaço aos peões para criar ciclovias, manter zonas de perigo junto à faixa de rodagem reservada a ciclistas (como lugares de estacionamento sem separador nem distância de segurança) ou permitir ou facilitar a circulação de peões ou de veículos motorizados. Outro erro comum que deve ser evitado é a atribuição de uma largura insuficiente, que impede o cruzamento (nas vias de dois sentidos) ou a ultrapassagem por outros ciclistas, em condições de segurança. É particularmente delicada nestas infra-estruturas a intersecção entre vias, pelo que deve ser dada a devida atenção à cuidadosa planificação de entroncamentos, cruzamentos e rotundas. Mau exemplo de como se implementa uma ciclovia, no Porto

Não creio que todas as vias cicláveis tenham de ser necessariamente ciclovias, mas em alguns casos essa é a melhor opção. O importante é que a cidade seja repensada globalmente em função da desejada mobilidade sustentável e seja criada uma rede de vias cicláveis - um mapa da cidade que possa ser proposto aos cidadãos que já usam ou que desejam começar a utilizar de forma regular a bicicleta como meio de transporte.

Mas há mais medidas que fazem falta... Por exemplo:

  • Estacionamentos para bicicletas em quantidade adequada, em locais próprios e com um design funcional.
  • Criação de corredores Bici+Bus (ou eventualmente, Bici+Bus+Moto) em ruas que actualmente têm sentido único apenas para transportes públicos. Um exemplo paradigmático é a Rua D. Pedro V, onde esta medida deveria ser acompanhada, na minha opinião, por uma fiscalização mais assídua do estacionamento ilegal e eventual redução das áreas reservadas a estacionamento automóvel.
  • Promoção da intermodalidade(p.ex., comboio + Bicicleta), assegurando as condições necessárias ao transporte de bicicletas nos comboios entre Braga e outras cidades, e divulgando amplamente essa opção económica e ecológica junto dos estudantes universitários e dos trabalhadores que fazem diariamente essa viagem.
  • Acalmia de tráfego, isto é, a redução da velocidade máxima em certas vias, e a devida fiscalização. Ainda há dias, na vizinha Espanha, vi agentes da autoridade a fiscalizarem uma "zona 30" com radar de segurança. Aqui além de praticamente ainda não existirem zonas 30, pura e simplesmente não existe fiscalização e quase ninguém cumpre os limites de velocidade dentro das localidades.
  • Criação de mais zonas amplas para os cidadãos: retirar espaço aos carros e devolvê-lo prioritariamente a peões, regulando devidamente o seu uso por parte de veículos. Em algumas cidades, existem ruas em que as crianças podem brincar em segurança: os carros e demais veículos são obrigados a respeitar os peões reduzindo a velocidade e dando-lhes sempre prioridade. Em Barcelona, as bicicletas podem usar determinados passeios, mas reduzindo a sua velocidade máxima para 15km/h para evitar acidentes com peões.

Seria interessante e muito útil que algum académico realizasse um estudo com rigor científico, no que se refere à questão da mobilidade sustentável em Braga. Talvez algo do género do que fez o Eng. Paulo Guerra Dos Santos na cidade de Lisboa. Uma análise sistematizada das vantagens de cada meio de transporte, e mesmo da intermodalidade, em diferentes cenários; dos obstáculos actualmente existentes a uma mobilidade mais sustentável e promotora de uma maior qualidade de vida para os cidadãos; e ainda das soluções mais indicadas, numa lógica de conjunto, para esta cidade.

Será que já algum dia alguém da Universidade do Minho elaborou alguma tese sobre estes assuntos?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

4000km a pedalar: "Fui de Portugal até à Ucrânia de Bicicleta"

4 mil quilómetros de bicicleta

Podia ser esta a primeira frase deste artigo, se em vez de ir trabalhar a cada dia tivesse partido de bicicleta há um ano e meio em direção ao oriente e percorresse a distância que por cá fui pedalando entretanto.

Foi há cerca de 1 ano e meio que comprei a minha primeira bicicleta e comecei a ir nela para o trabalho, todos os dias. O conta-quilómetros (ou conta-voltinhas, como alguém simpaticamente o chamava um destes dias) marca agora 3977Km. Antes do final desta semana, irá passar a marca dos 4 mil quilómetros percorridos.

É um número que não te importância nenhuma, afinal de contas. Mas ainda assim, é bom olhar para trás ver que fomos capazes de escolher uma opção mais ecológica e económica, contra aquela que é ainda a visão e a prática da maioria, e tornar essa prática a nossa rotina diária normal. Ao longo deste tempo, o carro passou a ter a utilização que lhe é própria, ou seja, só é usado quando tal é mesmo necessário.

Como qualquer mudança na vida, foi preciso alguma aprendizagem e alguma persistência. Mas vale bem a pena! Sentir o vento fresco na cara (ou mesmo a chuva, quando a há) é uma experiência que não tem preço: faz-nos sentir vivos e mais próximos da cidade que nos rodeia. A cidade passa a ser de certa forma o nosso quintal, a nossa vizinhança, como se deixasse de existir uma fronteira invisível entre nós e o mundo.

Há muitos bons motivos para escolher a bicicleta como meio de transporte. Mas, independentemente de quais sejam, é sempre apenas o início de uma transformação ainda maior, cujas vantagens vamos conhecendo e colhendo ao longo do tempo…

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Dicas para começar a usar a bicicleta como meio de transporte - Parte 4: Escolha um percurso adequado

[Este é o quarto de uma série de artigos (ver artigo inicial, ver segundo artigo, ver terceiro artigo) dedicados a quem quer começar a utilizar a bicicleta como meio de transporte e ainda não sabe muito bem por onde começar. Trata-se de uma série de artigos que aborda diversos temas, desde a escolha da bicicleta à aprendizagem de um estilo de condução adequado.]

Ao escolher o seu percurso, há algumas variáveis importantes a levar em consideração. Em primeiro lugar, a sua forma física e a sua experiência enquanto condutor e ciclista. Em segundo lugar, a distância a percorrer e as condições no terreno: inclinação, tipo de estrada, trânsito, etc.

8. Use os mapas

Consulte o mapa da sua cidade e defina uma rota que seja tão direta quanto possível, mas tente evitar para já as inclinações mais acentuadas. Mais tarde, poderá explorar também essas ruas, mas é preferível começar de forma gradual.

Evite também as chamadas "vias rápidas" e outros eventuais trechos que se encontrem vedados à circulação de velocípedes. Lembre-se contudo que a bicicleta é um veículo e, como tal, pode circular normalmente na maior parte das ruas e estradas.

Para além dos mapas em papel, podem ser muito úteis os serviços de mapas on-line. O Google Maps, por exemplo, tem uma funcionalidade para ciclistas que, infelizmente, ainda não está disponível em Portugal, mas pode mesmo assim ser útil: se selecionarmos as rotas pedestres, temos um caminho um pouco mais adequado a ciclistas. Existe também o MapMyRide que tem a vantagem de permitir desenhar uma rota no mapa e visualizar um gráfico com a variação da inclinação ao longo desse percurso.

9. Explore a sua cidade de bicicleta

Se está a começar, comece por explorar os seus possíveis percursos previamente, por exemplo num fim de semana. Isso permitir-lhe-á conhecer melhor as ruas, com calma e talvez até com menos trânsito, para ficar com uma noção mais clara das distâncias, bem como dos obstáculos ou dificuldades que possa encontrar em cada uma delas. Não há como sair a pedalar para ficar a saber se um certo trajeto é ou não demasiado inclinado, por exemplo.

Pedale descontraidamente, sem pressas, e aproveite para contar o tempo que demora cada um dos percursos. Mas lembre-se: a ideia não é fazer uma corrida contra o tempo, mas sim ficar a saber quanto tempo demora, fazendo o caminho de forma mais ou menos relaxada. A regra é simples: quanto mais rápido pedalamos, mais aquecemos e mais suados chegamos ao destino; mas se pedalarmos ao nosso próprio ritmo, podemos fazer vários quilómetros sem grande esforço. Deste modo, saberá a que horas precisa de sair de casa, para chegar pontual ao seu local de trabalho.

Ao explorar a cidade, esteja atento(a) a eventuais atalhos que possam vir a facilitar-lhe as suas viagens de bicicleta.

10. Pense como ciclista, não como motorista

O melhor caminho para um ciclista é muitas vezes diferente daquele que mais convém a um automobilista. Se ao automóvel convêm rotas que incluam estradas rápidas e largas, poucos cruzamentos e sinais de stop ou cedência de passagem, ao ciclista interessam antes rotas tão diretas quanto possível, com pouca inclinação e preferencialmente com trânsito automóvel lento, ou com pouco ou nenhum trânsito automóvel. As ruas secundárias são particularmente úteis para quem vai de bicicleta: são rápidas, muitas vezes são mais diretas e têm menos trânsito ou, pelo menos, trânsito mais lento.

Além disso, o ciclista pode facilmente transpor alguns obstáculos impossíveis a um carro, até porque basta apear-se e levar a bicicleta pela mão, sempre que isso for necessário.

Outro fenómeno que acontece muitas vezes é o facto de determinadas estradas serem mais movimentadas em determinadas horas e ficarem praticamente desertas noutros horários. Conhecendo esse pulsar, podemos usá-lo a nosso favor. Se uma rua tem engarrafamento a uma determinada hora, isso significa que o trânsito está mais lento e, provavelmente, bem mais seguro para um ciclista. Se a uma outra hora a rua fica mais ou menos deserta e não há carros a circular a alta velocidade, ótimo!

11. Junte-se aos seus vizinhos ciclistas

A partir do momento em que passar a andar de bicicleta na sua cidade, irá perceber que, mesmo sendo ainda uma minoria, há dezenas ou centenas de vizinhos seus que já usam a bicicleta no seu dia a dia. Fale com alguns deles, para perceber quais os percursos utilizados mais frequentemente pelos ciclistas mais experientes. Afinal, todos eles tiveram também de explorar inicialmente até encontrarem os seus percursos preferidos.

Participe em eventos de ciclismo urbano, como a Massa Crítica, a Cicloficina ou os Encontros com Pedal. Isso dar-lhe-á a oportunidade de meter conversa com alguns dos ciclistas com quem, muito provavelmente, se passará a cruzar no seu quotidiano. Aproveite para trocar experiências e conhecer os melhores percursos para bicicletas.

Junte-se a uma associação local de ciclistas urbanos, se existir, e use os grupos existentes nas redes sociais para descobrir outros ciclistas e trocar experiências e ideias.

(continua...)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Dicas para começar a usar a bicicleta como meio de transporte - Parte 3: Antes de começar a pedalar

[Este é o terceiro de uma série de artigos (ver artigo inicial, ver segundo artigo) dedicados a quem quer começar a utilizar a bicicleta como meio de transporte e ainda não sabe muito bem por onde começar. Trata-se de uma série de artigos que aborda diversos temas, desde a escolha da bicicleta à aprendizagem de um estilo de condução adequado.]

7. Antes de começar a pedalar, verifique sempre:

  • RODAS - Não devem estar empenadas, devem estar devidamente fixadas e os pneus devem estar à pressão recomendada pelo fabricante (entre outras coisas, ajuda a evitar o aparecimento de furos). Convém ir verificando também a eventual presença de anomalias na superfície dos pneus.
  • TRAVÕES - Aplique força nas manetes dos travões para confirmar que estejam a funcionar corretamente. Verifique periodicamente os calços: tenha atenção à sua posição (deverão tocar unicamente no aro e nunca no pneu) e ao seu desgaste. Se estiverem gastos, deverão ser substituídos.
  • CORRENTE - A corrente e todo o mecanismo de transmissão devem estar limpos, lubrificados e afinados. Se a transmissão da sua bicicleta não estiver a funcionar devidamente (por exemplo, se a corrente saltar ou não agarrar), podem ocorrer acidentes de gravidade mais ou menos imprevisível. Na dúvida, consulte um mecânico de bicicletas.
  • SELIM e DIREÇÃO - O selim deve estar bem apertado e regulado a uma altura adequada. Não deve haver nenhuma folga entre o guiador e a roda dianteira - ou seja, não podem mover-se independentemente. Se notar alguma folga, peça de imediato ao seu mecânico de bicicletas para verificar a caixa de direcção.
  • LUZES - Se vai circular antes do nascer do sol, ou se existe a possibilidade de ter de pedalar a partir do fim da tarde, certifique-se de que leva consigo um conjunto de luzes dianteira (branca) e traseira (vermelha). Se as suas luzes necessitarem de pilhas, certifique-se de que tem sempre as pilhas carregadas, bem como um par de pilhas suplentes.

(continua...)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dicas para começar a usar a bicicleta como meio de transporte - Parte 2: Equipar-se

[Este é o segundo de uma série de artigos (ver artigo anterior) dedicados a quem quer começar a utilizar a bicicleta como meio de transporte e ainda não sabe muito bem por onde começar. Trata-se de uma série de artigos que aborda diversos temas, desde a escolha da bicicleta à aprendizagem de um estilo de condução adequado.]

2. Escolher o vestuário para a sua pedalada diária

Há muitos ciclistas que só usam o vestuário concebido para o ciclismo profissional, mas poucos são os ciclistas urbanos que o fazem no dia-a-dia. Porque, apesar de ser confortável ao pedalar, esse tipo de vestuário implica uma despesa adicional considerável, não é nada prático em percursos curtos (obriga a trocar de roupa ao chegar ao trabalho, por exemplo) e, além do mais, não é nada fashion.

Por isso, uma boa notícia é que não tem de vestir-se de licra para usar uma bicicleta: a menos que vá fazer um percurso de muitos quilómetros ou participar numa competição, bastará a sua roupa normal de todos os dias. Use roupas confortáveis, mas evite roupas muito largas que possam prender-se nas rodas ou na corrente.

Dependendo da sua forma física, da cadência do seu pedalar, do tipo de percurso e do estado do tempo, pode ser necessário fazer pequenos ajustes. Muitas vezes, precisamos de menos roupa quando estamos em cima da bicicleta: o movimento dos músculos aquece o corpo. Mas noutras vezes, com o ar gelado da manhã ou com vento frio, pode dar jeito usar umas luvas e/ou um casaco ou corta-vento.

3. Não se esqueça das luzes!

Se vai usar a bicicleta ao início e/ou ao fim do dia, não saia de casa sem um conjunto de luzes frontal e traseira (verifique as pilhas!). Um conjunto de refletores e roupas claras são também úteis para circular em segurança na estrada.

4. Prepare-se para a chuva

Ao início, temos tendência para consultar a meteorologia, com receio de apanhar um dia de chuva. Mas depois acabamos por nos aperceber que é raro chover, e muito mais raro ainda chover o dia todo. Mas lá diz o ditado: um ciclista preparado vale por dois. Portanto, aqui ficam algumas dicas também em relação a este tópico.

Em primeiro lugar, uns guarda-lamas ajudam a evitar salpicos de água, lama e areia provenientes das rodas (quando chove, ou quando chão ainda está molhado).

Um bom fato impermeável pode ser vestido por cima da sua roupa normal e permitir-lhe-á chegar ao seu destino seco e confortável, mesmo nos dias de chuva intensa. Há modelos concebidos especificamente para ciclistas, que se ajustam para não ficarem presos na corrente e que permitem que a pele respire, mantendo no entanto uma excelente capacidade de retenção da água da chuva.

5. Leve consigo a sua bagagem

Um porta-bagagens, com ou sem alforges, é sempre útil, para levar a carteira, o almoço, uma muda de roupa e tudo o mais que precisar (não se esqueça de uma bomba e de um mini kit de ferramentas). Ao usar um porta-bagagens, sentimos menos o peso do que se usarmos uma mochila, e não acumulamos suor nas costas.

A verdadeira utilidade de um cesto e/ou uma grelha bagageira surge quando menos se espera. Isto é, a utilidade prática da bicicleta vem mais facilmente ao de cima: podemos passar pelo mini-mercado para fazer umas compras para o jantar, podemos levar uma muda de roupa para o trabalho, podemos levar o computador portátil para uma reunião com um cliente, etc.

6. Proteja a sua bicicleta

Se precisar de deixar a sua bicicleta sozinha durante algum tempo, é recomendável investir num bom conjunto de cadeados que lhe permitam prender o quadro e ambas as rodas. Há muita diversidade quer em termos de preços quer em termos de design dos cadeados. Os mais fiáveis tendem a ser aqueles em formato de U ou D, mas convém usar sempre dois modelos diferentes. Por exemplo, poderá utilizar um cadeado em U para prender o quadro e a roda traseira ao ponto de fixação no local de estacionamento e um cabo para prender ao quadro a roda dianteira.

É também boa ideia prender o selim ao quadro, sobretudo se aquele tiver um aperto tipo quick release (abertura fácil). Alguns ciclistas optam nesses casos por retirar e levar consigo o selim, quando deixam a bicicleta estacionada.

(continua...)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dicas para começar a usar a bicicleta como meio de transporte - Parte 1: Escolher uma bicicleta

Este é o primeiro de uma série de artigos dedicados a quem quer começar a utilizar a bicicleta como meio de transporte e ainda não sabe muito bem por onde começar. Tentaremos abordar diversos temas, desde a escolha da bicicleta à aprendizagem de um estilo de condução adequado.

1. Arranje uma bicicleta!

Não tem que ser um modelo topo de gama, mas convém que tenha o tamanho certo para si e que esteja devidamente afinada. De um modo geral, as bicicletas mais caras destinam-se à prática desportiva de alta competição: têm algumas características técnicas que podem até nem ser úteis ao utilizador comum e geralmente não dispõem dos acessórios mais voltados para o ciclismo utilitário. Além disso, uma bicicleta demasiado dispendiosa pode tornar-se também particularmente atraente para os ladrões.

Evite no entanto as "bicicletas de supermercado". Há bicicletas que são tão baratas que pura e simplesmente não são seguras ou fiáveis para quem vai fazer delas o seu meio de transporte. O barato pode sair caro e até causar alguns acidentes perigosos. Às vezes, pode ser melhor negócio uma bicicleta usada que se encontre em bom estado. Quem sabe, talvez algum familiar ou amigo tenha uma bicicleta que já não usa, encostada no fundo da garagem...

Se vai comprar uma bicicleta nova, saiba que há modelos concebidos especificamente para uso como meio de transporte urbano que, para além de serem confortáveis, incluem de série alguns acessórios indispensáveis: luzes, refletores, campainha, guarda-lamas, grelha bagageira. Pode ficar mais em conta um destes modelos do que comprar individualmente cada um desses acessórios para equipar uma bicicleta concebida para uso desportivo ou recreacional.

Para quem precisa de combinar frequentemente o uso da bicicleta com o carro ou os transportes públicos, uma bicicleta dobrável pode ser particularmente prática. Ocupa pouco espaço e tem também a vantagem de poder entrar consigo na maior parte dos locais onde for, diminuindo a probabilidade de roubo.

(continua...)

domingo, 29 de maio de 2011

Muitos eventos com bicicletas por esse país fora, e o seu significado

Na última semana deste Mês das Bicicletas, proliferaram por este país os eventos sociais com bicicletas em contexto urbano. E nem a chuva foi capaz de demover dezenas ou centenas de participantes.

Como vem sendo habitual, na última sexta-feira de cada mês realiza-se de Norte a Sul, e também lá fora, a Bicicletada ou Massa Crítica. Umas vezes com menos participantes, outras com mais. Em Lisboa, diz que houve desta vez 126 participantes a pedalar pela cidade. Certamente que não são os únicos ciclistas urbanos da cidade de Lisboa, até porque estes eventos decorrem habitualmente num horário que para muitos será difícil de conciliar com as obrigações laborais. Mas é bom ver que mesmo assim existe uma forte adesão, mostrando união em torno da ideia de que a bicicleta é uma importante mais-valia para as cidades modernas e que devem ser criadas mais condições para o seu uso generalizado. Parabéns, Lisboa!

Também em Lisboa, realizou-se este sábado o 1º Evento Cycle Chic Lisboa, com quase 200 participantes. A chuva forte que se fez sentir não impediu que as bicicletas saíssem à rua com a naturalidade e elegância que lhes é própria. Parabéns à organização do evento!

Cá por Braga, costuma também realizar-se mensalmente a Massa Crítica (na qual infelizmente não tive ainda a oportunidade de participar), mas ainda não tive notícia sobre a última edição...

Em todo o caso, os Encontros com Pedal têm juntado aos fins de semana alguns dos ciclistas urbanos bracarenses. Com uma vertente um pouco menos reivindicativa e quicá mais prazerosa, juntam miúdos e graúdos em passeios descontraídos pelo centro da cidade. É uma espécie de turismo com os nossos vizinhos quase sem sair de casa - agrada-me particularmente o facto de haver lugar nestes passeios para os ciclistas de todas as idades.

Esta semana, houve ainda lugar para uma pedalada em dia útil, inserida na iniciativa "MOVE-TE PELA ESCLEROSE MÚLTIPLA". A organização dos Encontros com Pedal ajudou na divulgação do evento na cidade de Braga, mas pedaladas e caminhadas semelhantes decorreram no mesmo dia em cerca de uma dezena de cidades portuguesas. Mesmo não sendo um evento de promoção do ciclismo utilitário, não deixa de ser uma forma útil de dar uso à bicicleta.

...

Este tipo de eventos, que proliferam com a chegada da primavera e a aproximação do verão, mostram que 1) há muitas bicicletas prontas a usar nas cidades e que 2) há vontade de as usar. Falta apenas qualquer coisa para que essa vontade se concretize de forma mais frequente e generalizada.

A um nível individual, falta perder o receio de ser visto como um "maluquinho contra-corrente que deixa o automóvel em casa", e aprender a circular de bicicleta nas ruas da cidade de forma segura e eficiente. Para além do conhecimento do Código da Estrada, pode ser particularmente útil o contacto com ciclistas urbanos mais experientes, ou então a leitura das suas experiências, algo que é extremamente fácil de encontrar na Internet. As comunidades de ciclistas urbanos, como os Encontros com Pedal, a Massa Crítica e a MUBi, podem certamente dar uma ajuda preciosa nesse processo.

A um nível local, é necessário criar condições que promovam e facilitem o uso normal da bicicleta como meio de transporte. Apontaria, como exemplo, a criação de uma rede de vias cicláveis (não necessariamente ciclovias, mas vias onde esteja efetivamente prevista a circulação de bicicletas) a unir os principais pontos da cidade, com piso, dimensão, inclinação e regulamentação adequada a esse meio de transporte. Muitas dessas vias podem perfeitamente ser as ruas já existentes, com pequenos ajustes na sinalização horizontal e vertical. Noutros casos, pode ser útil por exemplo a demarcação de uma área reservada a ciclistas, ou uma faixa partilhada entre estes e os transportes públicos. Devem estar previstos estacionamentos adequados (isto é, que permitam prender facilmente o quadro e ambas as rodas da bicicleta, sem a danificar), em quantidade suficiente, por toda a cidade.

A um nível nacional, é urgente alterar o Código da Estrada por forma a aumentar a segurança dos ciclistas, por exemplo promovendo uma acalmia de trânsito nos centros urbanos e aplicando o princípio da proteção dos mais vulneráveis (peões ou ciclistas). É também importante promover a formação de condutores (de bicicletas ou eventualmente de outros veículos) desde cedo, nas escolas. O Primeiro Ciclo pode e deve dar os primeiros ensinamentos sobre como se usa uma bicicleta como meio de transporte útil, uma formação que se deve estender ao longo dos ciclos seguintes. As escolas de condução podem e devem aproveitar para propor aos seus clientes cursos de condução de bicicleta - um serviço que para além de ser inovador, fará com que não fiquem de fora da corrida quando o carro deixar de ser a primeira opção. Acrescentaria ainda que em matéria de legislação e Orçamento de Estado muito mais se pode pensar e fazer. Benefícios fiscais para quem opta por comprar e usar bicicleta em vez do carro, subsídio de transporte no emprego para quem for de bicicleta, programas de apoio à compra e utilização de bicicletas utilitárias, etc.

Num tempo em que o orçamento familiar vai encolhendo e o preço do petróleo vai aumentando, é natural que cada vez mais pessoas se interessem por este meio de transporte que além de económico é amigo do ambiente. Parece haver um aumento desse interesse, e podemos mesmo estar num momento-chave para uma evolução positiva em matéria de mobilidade sustentável. Nesta matéria, como afinal em tantas outras, cabe a todos e a cada um dar o seu contributo pessoal.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Meditando a partir das Conversas no Tanque...

Tive a oportunidade de estar presente esta noite na Velha-a-Braga, durante uma edição das Conversas no Tanque dedicada ao tema da mobilidade urbana em bicicleta, onde pudemos escutar na primeira pessoa os testemunhos de Miguel Barbot (Um pé no Porto e outro no pedal) e Sérgio Moura (De Bicicleta no Porto).

Falou-se um pouco de tudo - da escolha da bicicleta certa para pedalar na cidade, das ciclovias, dos capacetes, das alterações que é preciso fazer ao Código da Estrada, dos mitos dos declives, dos exemplos de Amesterdão ou Portland, da falta de estacionamento para bicicletas, do impacto positivo do uso da bicicleta na qualidade de vida das pessoas e na sua relação com a sua cidade, etc...

Isto de eleger a bicicleta como meio de transporte preferencial é uma coisa simples, mas que tem muito que se lhe diga. Há inúmeras questões de ordem prática, que interessam aos utilizadores desse meio de transporte. Mas há muitas outras questões. Por exemplo, nas áreas da Educação (a necessidade de formar peões, ciclistas e automobilistas responsáveis desde o início da idade escolar), do Urbanismo (localização das áreas habitacionais, a falta de uma rede de vias realmente cicláveis a unir os principais pontos da cidade, os estacionamentos para bicicletas, a integração com transportes públicos) e da Legislação (a necessidade de rever o Código da Estrada dando mais proteção e prioridade aos ciclistas).

Tirando o facto de a assistência a este tipo de eventos ser, como habitualmente, reduzida a um pequeno grupo de pessoas, diria que esta reunião soube a pouco, porque muito haveria ainda para conversar. Mas ainda assim, seria bom que os temas abordados chegassem aos ouvidos de certas classes dirigentes da cidade de Braga.

Num futuro mais ou menos próximo, talvez outros eventos um pouco mais formais possam vir a contar com representações oficiais das juntas de freguesia, da câmara municipal e de outras instituições responsáveis pelo planeamento urbano. Quem sabe, possa até proceder-se à elaboração de um conjunto de atas a fornecer à comunicação social e a essas mesmas instituições.

...

O futuro da bicicleta em cidades como Braga passa também, em grande medida, pela promoção efetiva deste meio de transporte junto da população escolar e universitária (incluindo alunos e docentes). É algo que não pode ser descurado, pelo que é necessário sensibilizar e envolver associações de pais (quem é que não gostaria de ver os seus filhos a pedalar em segurança até à escola, em vez de enfrentar uma fila de carros?...), alunos, docentes e ainda os diretores das escolas.

Para quê? Para ajudar os órgãos decisores a delinear soluções práticas e funcionais em termos de urbanismo, mas sem descurar a educação do público jovem numa área tão importante como é a circulação rodoviária. O objetivo seria, a médio prazo, criar condições para que muitos pais acompanhassem os seus filhos à escola em bicicleta e que os alunos mais crescidos passassem a utilizar esse meio de transporte na deslocação casa-escola, em segurança.

Para quem vive numa cidade como Braga e não anda de bicicleta nem se interessa por estas questões, pode parecer um cenário idílico e idealista. Mas não é. Há escolas portuguesas onde já se promove o uso da bicicleta - e onde a bicicleta é efetivamente utilizada pelos alunos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

De regresso ao pedal

Após uma longa interrupção que pareceu quase interminável, volto amanhã a pedalar nas ruas de Braga.

Pelo caminho, a bicicleta levou um eixo pedaleiro novo, uma pedaleira nova e uma nova corrente. Ainda foi uma despesa de algumas dezenas de euros, é certo. Mas, afinal de contas, foi menos do que aquilo que tive de gastar em gasolina e estacionamento ao longo deste período em que fiquei sem bicicleta. Tive pena de perder a brisa e a passagem pela animação das ruas do centro, e de ter de enfrentar repetidamente algumas filas de trânsito num carro aquecido pelo sol que tem estado nas últimas semanas.

Mas chega de queixumes e vamos lá mas é pedalar!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ainda ontem eu dizia...

Ainda ontem dizia eu que uma das desvantagens de andar de carro é que é preciso enfrentar os arrumadores, deixar moedas nos parquímetros e/ou contar com os polícias ao virar da esquina. Hoje, pelos vistos, era dia de contar com o polícia ao virar da esquina.

Por coincidência ou não, no banco ou vi dizer que esta manhã tinham esgotado o stock de moedas, o que não era habitual...

Em cerca de um mês - mais coisa menos coisa - sem bicicleta e a usar o carro para ir para o trabalho, já devo ter gasto uns 80 euros em gasolina, mas 4 ou 5 euros a limpar o para-brisas do servicinho dos pombos, mais uma quantia indeterminada em talões de estacionamento... e mais estes 9,50 euros de gorgeta aos senhores da Polícia Municipal. Contas feitas, já dava para ter comprado uma bicicleta suplente em segunda mão.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

As saudades que eu já tinha da minha alegre bicicletinha...

Com a bicicleta enfiada na oficina, pega-se no carro e atura-se um pouco de tudo: pombos que teimam em fazer do carro uma retrete, filas de carros a fumegar no para-arranca, arrumadores a pedir moeda no estacionamento, máquina a pedir moeda também no estacionamento - ou o polícia talvez à espera ao virar da esquina, carros que acidentalmente nos dão cabo da pintura e de algo mais, gasolina ao preço de... bem, de alguma coisa que poderia ser mais frutífera. Etc.

Devo dizer que nunca pensei que reparar a transmissão de uma bicicleta pudesse ser tão demorado. Estou há praticamente um mês sem bicicleta, em repetida frustração. Primeiro, uma serie de eixos pedaleiros que não serviam. Depois de aparecer o eixo certo, agora é o prato pedaleiro que não aparece.

Entretanto, lá ando eu de latinha no meio dos popós... Alguém me empresta uma bicicleta por uns tempos? :-)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Bike boxes: prioridade aos ciclistas nos semáforos

Em Portugal ainda é pouco frequente encontramos nas ruas sinalização vertical e horizontal destinada a ciclistas. Comparando com o que podemos encontrar em diversas cidades europeias e americanas, ficamos com a sensação de que estamos um pouco atrás no tempo. E não são só ciclovias e placas que andamos a perder. Para o exemplificar, poderíamos recorrer aos inúmeros exemplos retirados das ruas de Amesterdão, Berlim, ou Copenhaga...

Hoje partilho convosco uma das soluções simples e pouco dispendiosas que facilitam a vida aos ciclistas em cidades como Londres, Portland, Bristol ou Nova Iorque. Pode ser que, um dia destes, os nossos autarcas, ou quem manda afinal na nossa rede viária, se decidam a aplicar algumas destas ideias...

Há quem lhes chame bike boxes (caixas de/para bicicletas), mas o nome mais formal será antes Advanced Stop Line, ou Advanced Stop Box. Com simples marcações na estrada (e eventual sinalização vertical de apoio), define-se uma área onde só podem parar certos tipos de veículos (p.ex. bicicletas), ficando estes com uma posição de arranque avançada quando o sinal muda de vermelho para verde. Ou seja, a fila de automóveis deve parar um pouco mais atrás, de modo a reservar esse espaço para as bicicletas e/ou motos.

As bike boxes estão geralmente associadas à existência de uma faixa reservada a ciclistas. A principal vantagem prende-se com o facto de aumentar a visibilidade do ciclista nos cruzamentos, reduzindo a probabilidade de colisão com outros veículos. Evidentemente, o ciclista só deverá usar uma bike box se o sinal estiver vermelho. Se estiver verde, deve seguir o fluxo do trânsito.

Uma vantagem suplementar é que os peões que atravessem numa passadeira em frente a uma bike box estarão também protegidos pela distância adicional aos veículos motorizados.

No seguinte vídeo, podemos ver como se usam as bike boxes na cidade de Nova Iorque:

Eu gosto particularmente das bike boxes verdes que foram implementadas há alguns anos na cidade americana de Portland, que me parecem ainda mais fáceis de usar pelo facto de estarem bem mais visíveis e destacadas:

segunda-feira, 18 de abril de 2011

De bicicleta na cidade: devemos andar pelos passeios?

Diz o senso comum que na cidade o lugar mais seguro para andar de bicicleta são os passeios e bermas. Tenho vindo a observar, a este propósito, que alguns ciclistas urbanos preferem pedalar pelos passeios, mesmo em ruas com bom piso e pouco movimento. E embora compreenda em parte os motivos que levam a esse tipo de comportamento, creio ser uma prática a evitar, por vários motivos.
 

1. Andar de bicicleta nos passeios é ilegal

Ainda que o Código da Estrada português apresente ainda algumas lacunas em matéria de inclusão e proteção dos ciclistas, convém ter presente que é o Código da estrada que dita as regras de circulação na via pública e que este deve ser cumprido sempre que possível. Por isso, um dos motivos para circular de bicicleta na faixa de rodagem e não nos passeios é precisamente porque a lei assim determina. No passeio, de acordo com o CE, os ciclistas devem desmontar e levar a bicicleta pela mão.

2. Andar nos passeios é perigoso

Há vários perigos à espreita nos passeios. Boa parte deles são demasiado estreitos e têm buracos ou outros obstáculos que dificultam imenso a circulação dos ciclistas: é frequente haver degraus, pilaretes, árvores, bancos, postes, marcos de correio, sinais de trânsito, etc.

Quem vai a sair de um edifício geralmente não espera que venha uma bicicleta a circular no passeio, o que pode originar acidentes de certa gravidade. Além disso, os passageiros dos carros estacionados junto ao passeio podem a qualquer momento abrir as suas portas, resultando num dos tipos de acidentes mais frequentes com ciclistas.

3. Pelo passeio demoramos mais tempo

Os passeios estão concebidos para a circulação de peões, não de bicicletas. O trânsito pelos passeios é forçosamente mais lento do que na faixa de rodagem. Por um lado, porque é necessário dar inteira prioridade aos peões. E, por outro lado, porque os passeios há inúmeros obstáculos para os veículos de duas rodas. Um ciclista que evite sistematicamente a faixa de rodagem e circule somente pelos passeios vai certamente demorar muito mais tempo a chegar ao seu destino, correndo muito provavelmente alguns riscos desnecessários.

4. Defenda os seus direitos!

Você tem o direito de circular de bicicleta na faixa de rodagem (exceto, naturalmente, em autoestradas e outras vias devidamente sinalizadas). Os condutores de automóveis e outros veículos motorizados têm o dever de partilhar a via pública com todos os veículos, incluindo as bicicletas. Não abdique dos seus direitos.

Ao seguir pela faixa de rodagem, está a contribuir para educar os condutores, acostumando-os à presença dos ciclistas na via pública. Uma maior visibilidade da bicicleta enquanto meio de transporte é um contributo essencial para a melhoria das condições de segurança para ciclistas. À medida que os condutores se vão habituando a circular junto com os ciclistas, tornam-se mais atentos e cuidadosos. Há estudos que mostram que, à medida que aumenta o número de ciclistas nas ruas, aumenta também a sua segurança, diminuindo o número e gravidade dos acidentes.


...relativizar onde é preciso

Devemos conhecer e respeitar o Código da Estrada sempre que ele defende a nossa segurança e a dos que nos rodeiam. O bom senso é útil para ajudar a discernir algumas situações onde podemos relativizar algumas regras. Em alguns casos, pode ser aceitável e até recomendável circular pelos passeios.

Um exemplo simples: numa via de alta circulação automóvel, com uma subida acentuada e velocidades de 70km/h ou mais, uma bicicleta pode efetivamente correr alguns riscos. Ainda que o seu lugar por direito e por dever seja na faixa de rodagem, se houver um passeio suficientemente largo, com piso apropriado e onde estejam a circular poucas pessoas, pode ser boa ideia seguir temporariamente pelo passeio. Obviamente, dando sempre prioridade aos peões, e acautelando todo o tipo de situações imprevistas: alguém que sai de um carro ou de um edifício, peões que mudam de repente de direção, crianças que correm ou brincam no passeio, etc.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Desabafos de um ciclista urbano

Depois de algum tempo em que venho fazendo da bicicleta o meu meio de transporte pessoal na cidade, é curioso observar que por motivos diversos as outras modalidades de transporte não são verdadeiras alternativas. Para além das despesas associadas quer ao carro quer aos transportes públicos, a bicicleta permite-me poupar tempo e paciência. E quando se toma real consciência disso é quando ela nos falta...

De vez em quando, uma bicicleta precisa de alguma manutenção. E se andamos nela todos os dias, faça chuva ou faça sol, isso pode ser mais frequente do que desejaríamos. Uma afinação aqui, lubrificação ali, uma ou outra peça que empena ou que se vai desgastando... O ideal seria ter uma boa oficina perto do local de trabalho que fizesse esse serviço durante o dia, de modo a termos a bicicleta pronta a usar na hora de regressar a casa.

Pode até parecer um cenário um tanto ou quanto idealista, mas a verdade é que isso só não acontece por falta de mercado, ou seja, porque o número de bike commuters ainda é insuficiente para garantir a rentabilização do investimento. Aliás, em cidades como Londres, em épocas passadas em era generalizado o uso da bicicleta por parte da população, existiam mesmo essas oficinas junto às empresas, para que os trabalhadores não ficassem sem o seu transporte pessoal - reduzindo assim atrasos e absentismo.

Mas, voltando à nossa por vezes triste realidade, as lojas de bicicletas em Portugal estão ainda, na sua maioria, especializadas em equipamentos de desporto e/ou lazer. As bicicletas utilitárias são um nicho de mercado um tanto ou quanto residual e, provavelmente, pouco lucrativo. A modos que não só é difícil encontrar à venda uma boa variedade de bicicletas urbanas com o equipamento necessário (luzes, refletores, guarda-lamas, proteção de corrente, bagageira, dínamo), como é também frequente não haver nas oficinas certas peças de substituição para estas bicicletas.

Foi o que me aconteceu recentemente. A minha bicicleta tinha uma folga no movimento pedaleiro, pelo que decidi substituir a peça antes que ficasse empancado na estrada numa hora crítica. Substituíram o eixo pedaleiro e lá pude voltar às ruas, mas a coisa não ficou lá muito bem. Volta e meia, a corrente deixava de agarrar, impedindo o uso normal em subidas bem como o arranque em esforço após uma paragem nos semáforos, por exemplo. A modos que lá tive de levar o meu veículo novamente à oficina...

Segundo entendi, a peça que haviam utilizado era alguns milímetros mais comprida, pelo que o prato pedaleiro ficava um pouco deslocado da sua posição normal. Explicaram-me que havia dois tamanhos que usavam frequentemente, este e um outro que era pequeno demais e que não dava neste quadro. Ou seja, é preciso esperar dia após dia por uma peça que, digo eu, devia fazer parte do stock de qualquer oficina especializada em bicicletas.

Começo a pensar que o principal obstáculo ao uso da bicicleta como meio de transporte neste país é o tempo que demora uma simples reparação... Ou, dito de outra forma, preciso de uma bicicleta suplente!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Poupar dinheiro no dia-a-dia utilizando a bicicleta

Um dos motivos mais habituais para se passar a deixar o carro em casa e começar a usar a bicicleta é a poupança económica. A bicicleta é um veículo altamente eficiente em termos energéticos e que, ao não consumir combustível, permanece imune aos sucessivos aumentos dos preços do petróleo.

Poupança nas deslocações casa-trabalho


A calculadora de poupança com o uso da bicicleta, que temos disponível para download na pagina Úteis, permite-nos ficar rapidamente com uma ideia dos montantes envolvidos. Por exemplo, o meu percurso atual de 4km de casa para o trabalho (16km por dia) resulta uma poupança de aproximadamente 57 euros por mês em combustível e manutenção, sem contar as eventuais despesas de estacionamento.

Poupança noutras deslocações


Mas as oportunidades de poupar usando a bicicleta não se resumem às deslocações para o emprego. A partir do momento em que passamos a dispor deste meio de transporte alternativo, vão surgindo muitas outras situações em que o automóvel se torna perfeitamente dispensável. Pode ser por exemplo uma ida às compras, uma ida aos Correios ou uma saída para tomar café com os amigos. De bicicleta é geralmente mais rápido, porque demora menos tempo a sair da garagem e a encontrar estacionamento, e é um transporte direto porta-a-porta.

Para além disso, é possível combinar a bicicleta com outros transportes públicos, de modo a obter as vantagens de ambas as modalidades. Vou dar um exemplo muito simples que experimentei esta semana.

Moro atualmente em Braga, e costumo ir todos os anos a uma consulta médica de rotina no Porto. A distância de carro é de cerca de 60km e paga-se 3,05 € de portagens em cada sentido. Usando a nossa calculadora oficial, percebemos que a viagem de carro (120km) custaria 21,50€ em combustível e manutenção, mais 6,10€ de portagens, mais cerca de 3 euros em estacionamento. Ou seja, 30,60 euros.

Outra opção seria ir de comboio e usar o metro para ir da estação de S. Bento até ao local. Podemos levar o carro até à estação de Braga e deixá-lo lá estacionado todo o dia - apresentando o bilhete do comboio, temos um desconto e só pagamos 2 euros de estacionamento. Neste caso, teria uma pequena deslocação de carro casa-estação, de 3,5km, ou seja, 1,25 euros em ida-e-volta. Quanto ao comboio, o bilhete de ida-e-volta para o Porto custa 4,60€. No metro, paga-se 1,30€ para ir até à estação mais próxima, que fica a uns 7 minutos a pé do local pretendido. Fazendo as contas, dá uma despesa total de 8,45 euros. Um número bem mais simpático do que se fosse de carro...

Finalmente, uma terceira possibilidade era ir de bicicleta, utilizando-a para substituir o carro e o metro. Afinal, as distâncias de casa à estação de Braga e da estação de S. Bento ao local de destino são de apenas 3 ou 4 km, algo que se faz muito facilmente de bicicleta. Foi o que fiz esta semana, e correu muito bem. Escolhi previamente o percurso no mapa, e foi até uma viagem bem agradável. É certo que demorei um pouco mais do que se tivesse ido de carro, mas pude aproveitar a viagem de comboio para pôr umas leituras em dia e responder a uns emails pendentes. E, como bónus, acabei por gastar apenas os 4,60 euros do bilhete de comboio.

Resumindo, numa simples viagem Braga-Porto, é possível poupar qualquer coisa como 26 euros, deixando o carro em casa e optando em vez disso por combinar a bicicleta com o comboio. Impressionante, não é?

Outras contas...


Tal como eu, muitas outras pessoas se têm questionado sobre o fardo que por vezes se torna o automóvel na nossa cultura. Abaixo seguem alguns links para artigos que abordam uma temática semelhante, em variados contextos:

Exercício Prático: Bicicleta + Transportes vs Automovel
(R. Guerreiro, no blog Qualidade de Vida)

Cálculo da poupança de combustível por km diário de uso da bicicleta
(Bruno Santos, no Cenas a Pedal, o blog)

Você sabe quanto custa ter e, principalmente, manter um automóvel?
(Ricardo Fiorini, no Blog da FreeCycle)

Qual o veículo de transporte com melhor relação custo-benefício?
(Carlos Rossi, no site Shvoong.com)

Commuting cost analysis: Bus vs. Bike vs. Car
(Steward, no blog My Family's Money)

Auto Costs Versus Bike Costs
(Ken Kifer, no site Ken Kifer's Bike Pages)

The Costs of Owning a Car
(Jim Motavalli, no The New York Times)

...e muitos outros exemplos se poderiam certamente indicar. Caso o leitor conheça algum artigo interessante sobre esta temática, poderá sempre sugerir a sua consulta deixando abaixo um comentário com o link para a respectiva página.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pedalar para o trabalho no Inverno (Parte 1)

Quando há cerca de 10 meses comecei a ir de bicicleta para o emprego, imaginava que seria bem mais difícil do que realmente tem sido. Por um lado, tinha uma certa desconfiança relativamente à boa vontade dos automobilistas em partilharem a estrada (um daqueles assuntos que certamente abordarei um destes dias). E, por outro lado, achava que a lendária chuva da cidade de Braga seria um forte impedimento ao uso da bicicleta. Mas afinal não foi.

Diz-se que lá mais para o norte da Europa há um provérbio ciclista que afirma "There isn't such a thing as bad weather or good weather: there is bad gear and good gear". Ou seja, não há bom ou mau tempo para andar de bicicleta: há, isso sim, equipamento adequado ou inadequado a cada condição climatérica. E, contrariamente ao que o senso comum nos poderia levar a pensar, nem sempre um bom equipamento passa necessariamente por compras caras em lojas de especialidade.

Comecemos por salientar que o equipamento certo para cada caso depende de vários fatores: a distância a percorrer, o nível de inclinação, o tipo de estrada, o tipo de bicicleta, a condição física do ciclista e, finalmente, o tempo que faz.

No meu caso, percorro uma distância de 2,5 a 3km até ao local de trabalho, com muito pouca inclinação (quem foi que disse que Braga não era uma boa cidade para se andar de bicicleta?). Faço todo o caminho por estradas de alcatrão, ruas de paralelo e calçadas. No entanto, ainda que tenha um caminho sem lama, é frequente haver lençóis de água em algumas partes do percurso. Sobre a cidade de Braga, costuma dizer-se que é muito chuvosa, mas a verdade é que não é tanto assim. Há bastantes dias de chuva, é verdade, mas ainda muitos mais dias de sol ou de tempo nublado e seco.

Esta série de artigos servirá para registar e partilhar um pouco da minha aprendizagem ao longo deste período, na expectativa de que a informação possa ser útil a quem pretende também começar a pedalar em tempo frio ou molhado.

 

Guarda-lamas: o acessório indispensável nº 1

Quando comecei, sabia que um par de guarda-lamas seria uma das características essenciais para a rotina diária. Quis o acaso, contudo, que os meus guarda-lamas tardassem alguns meses até ficarem disponíveis para entrega. Infelizmente, em Portugal, a maior parte das bicicletas ainda são apenas objectos de lazer off-road...

Assim, quando surgiram as primeiras chuvadas, a minha estratégia passou por adquirir um impermeável e guardar uma muda de roupa no escritório. E resultou, parcialmente. Por um lado, isso permitiu que eu vencesse o receio inicial de enfrentar a chuva, mesmo tendo que mudar de roupa de vez em quando ao chegar ao destino. Por outro lado, rapidamente me apercebi que a falta dos guarda-lamas também afectava o funcionamento correcto da bicicleta. O travão traseiro deixava de funcionar com alguma frequência, ao acumular a areia arrastada pela água, o que implicava a necessidade de alguns minutos diários de limpeza e lubrificação desse mecanismo.

Quando, meses mais tarde, tive a possibilidade de instalar os tão-esperados guarda-lamas, pude finalmente dar algum descanso à minha rotina de limpar e lubrificar o travão traseiro. O guarda-lamas tratava de parar os grãos de areia antes que estes chegassem aos mecanismos. Uma outra vantagem, talvez mais óbvia, foi que passei a poder andar de bicicleta com piso molhado mas sem chuva ou com aguaceiros leves, sem impermeável. A minha pergunta de sempre, antes de pegar na bicicleta, deixou de ser "está a chover ou está o chão muito molhado?" e passou a ser "Chove muito?"...

Portanto, sem querer obviamente retirar a suprema importância de um bom conjunto de luzes (independentemente do tempo que faça), o guarda-lamas merece o lugar de acessório essencial para quem usa a bicicleta como veículo utilitário. A tal ponto que eu arriscaria dizer que deveria mesmo fazer parte da bicicleta, não como acessório, mas como componente-base.

(continua...)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A hegemonia do automóvel no espaço público (ligações)

O blog Menos Um Carro publicou estes dias uma série de três interessantes artigos sobre "a hegemonia do automóvel no espaço público". Os artigos em questão, inteligentemente ilustrados com fotos esclarecedoras, versam sobre a triste forma como a Avenida do Brasil, em Lisboa, tem vindo a ser conquistada pelos automóveis.

Em maior ou menor grau, exemplos destes abundam infelizmente um pouco por todo o país. Mas é chocante reparar que na nossa capital, onde suporíamos algum progresso relativamente a outras cidades, se encontre este estado de coisas...

Vale a pena ler:

Av. Brasil: manual da hegemonia automóvel no espaço público I

Av. Brasil: manual da hegemonia automóvel no espaço público II

Av. Brasil: manual da hegemonia automóvel no espaço público III