Mostrar mensagens com a etiqueta Sociedade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sociedade. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de janeiro de 2012

A primeira resposta à Carta Aberta

Na sequência da minha recente Carta Aberta aos órgãos autárquicos locais, recebi poucas horas depois uma resposta da Junta de Freguesia. Aparentemente, pouco mais podem fazer do que alertar o Departamento de Trânsito da CMB e para ele encaminhar este tipo de contactos. Saúdo a rápida resposta desta instituição, mas ficarei a aguardar uma resposta, que espero ser um pouco mais substancial, da parte da Câmara Municipal…

 

De: Junta de Freguesia de S. Victor (Presidente)
Enviada: sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012 15:54
Para: 'Freguesia de S. Victor - Braga (Geral)'
Assunto: RE: Carta aberta à Câmara Municipal de Braga e Junta de Freguesia de S. Vítor

Para enviar ao autor da CARTA ABERTA

Recebemos e damos boa nota das preocupações quanto à avaliação pessoal que fez da situação do tráfego na Avenida Antero de Quental, nesta Freguesia.
Como somos “visados directos na carta aberta” que nos fez chegar, do mesmo modo que à comunicação social, o que saudamos, sempre poderemos adiantar que “em sede própria” muito antes desta nota, já endossamos junto da “única entidade competente” o Departamento de TRÂNSITO da Câmara Municipal de Braga, um conjunto de sugestões tendo em vista a melhoria da fluidez do tráfego e da segurança de automobilistas e de peões, naquele como noutros locais da nossa Autarquia. Reconhece e ainda bem alguns efeitos positivos de algumas medidas ali implementadas, pelo que nesse sentido iremos endossar à Câmara Municipal de Braga, pela “via Institucional” o seu conjunto de análise e sugestões.
Apresentamos desde já os nossos cumprimentos,

Firmino Marques
Presidente da Junta de Freguesia de São Victor


Abaixo deixo uma foto que mostra um dos sentidos de trânsito da avenida em questão, com estacionamento automóvel de ambos os lados e entrecortada por vários cruzamentos. Um dos problemas é que o estacionamento na parte central vai até junto aos cruzamentos, retirando a visibilidade necessária aos condutores. Há constantemente acidentes nesses cruzamentos e, ocasionalmente, há até dificuldade de manobra com veículos pesados, que não conseguem curvar por causa dos carros estacionados. Adicionalmente, as passadeiras existentes, para além de mal instaladas, são em número e localização insuficiente, tendo em conta a proximidade do centro comercial e do ecoponto.

Uma nova revista portuguesa sobre a Cultura da Bicicleta

Saiu recentemente a público uma nova revista trimestral dedicada a todos aqueles que gostam de bicicletas. Chama-se B - Cultura da Bicicleta, é escrita por uma equipa notável e vem trazer uma lufada de ar fresco à imprensa da especialidade em Portugal.

Apesar da ampla distribuição que teve este primeiro número, por todo o País, não foi nada fácil encontrar em Braga um exemplar disponível! Esgotou em todos os quiosques que a tiveram, e só encomendando um exemplar num deles foi possível receber finalmente a revista.

Tinha ouvido falar nela algures na Internet, e sabia que alguns dos membros da equipa eram pessoas bem conhecidas em Portugal no âmbito da promoção da "bicicultura". A equipa "B" inclui:

  • Pedro Carvalho, fundador da Bike magazine e amante do BTT;
  • Hugo "Boinga" Cardoso, outro amante do BTT, que também já colaborou regularmente com a Bike magazine, foi editor da revista Onbike Portugal e participa frequentemente na Cicloficina e na Massa Crítica do Porto);
  • Miguel Barroso, um arquiteto especializado na área da sustentabilidade que, para além de utilizar a bicicleta diariamente para o trabalho, é conhecido pelo seu famoso Lisbon Cycle Chic;
  • Sofia Torrão, engenheira, que recentemente redescobriu a bicicleta como meio de transporte;
  • Manuel Portugal, amante da fotografia e da bicicleta;
  • Edgar Antunes, de quem não sei muito mais, para além de ser um especialista operacional na área do grafismo e também gostar das duas rodas.

A capa do nº 1 da revista B destaca um artigo sobre "Os melhores destinos de BTT em Portugal". Confesso que o ciclismo desportivo não ocupa grande lugar na minha vida, mas reconheço que é sem dúvida aquilo que move mais ciclistas em Portugal. Ao ver esse tema destacado na capa, por momentos receei que talvez afinal esta revista não fosse bem aquilo que eu esperava. Mas mal a abri, vi que o conteúdo se destacava claramente de todas as outras revistas de bicicletas que tenho encontrado à venda por cá. O BTT continua a ocupar uma parte substancial da revista - e faz sentido, dado que é a modalidade de ciclismo mais popular - mas sob uma perspetiva diferente: a ênfase não é colocada nos componentes mecânicos, na tecnologia e nas técnicas de treino, mas sim na experiência, no prazer de pedalar, conviver ao ar livre e apreciar as paisagens. Gostei também de ver um artigo dedicado à temática ambiental, salientando a necessidade de assegurar a preservação dos trilhos e dos ecossistemas em torno deles.

Por outro lado, a revista acolhe também a temática do ciclismo utilitário, o desenvolvimento da bicicultura na Europa e em Portugal, e tem artigos dedicados à Massa Crítica e a algumas lojas e fabricantes de bicicletas portugueses. Para quem se interessa por ciclismo utilitário, este número apresenta um tipo de bicicleta diferente e especial - uma bicicleta de carga da marca dinamarquesa Bullit, com muito estilo e capacidade para "180 quilos de carga e ciclista". Um outro artigo interessante apresenta-nos o projeto Wheels 4 Life, que mostra como uma bicicleta aparentemente insignificante pode mudar radicalmente para melhor a vida de uma família ou de uma comunidade.

Vale a pena ler e, quem sabe, até mesmo assinar esta nova revista, que vem promover um estilo de vida saudável e sustentável. Parabéns à equipa B!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Carta aberta à Câmara Municipal de Braga e Junta de Freguesia de S. Vítor

Farto de assistir a acidentes patetas, completamente indesejáveis e perfeitamente evitáveis na minha rua, decidi enviar uma carta aberta aos órgãos autárquicos locais. Não sei se terá algum efeito prático imediato, mas espero que contribua para sensibilizar os responsáveis para as questões que afetam o bem-estar dos cidadãos. Logo que tiver uma resposta de uma ou de outra parte, darei aqui conhecimento da mesma.


Ex.mos Srs.

Venho trazer ao v/ conhecimento uma situação de alguma gravidade na qual considero que a Autarquia tem uma quota de responsabilidade, se não nas causas, pelo menos na sua possível resolução. Trata-se do ordenamento de trânsito na Avenida Antero de Quental (junto ao centro comercial Braga Parque) e ruas adjacentes.

Quando esta área comercial e habitacional foi criada, a Av. Antero de Quental tinha duas faixas de circulação em cada sentido, e mais duas filas de estacionamento nas bermas (uma em cada sentido de circulação). Na altura, recordo-me de ver que o excesso de viaturas automóveis estacionadas era tal que os automobilistas começaram a estacionar ilegalmente na via pública, junto ao separador central. A resposta da autarquia, ou da autoridade com competência nessa área, passou por institucionalizar esse estacionamento que antes era ilegal. A partir daí, passou a haver apenas uma via de circulação em cada sentido (que considero suficiente) e quatro faixas para estacionamento automóvel (as duas já existentes nas bermas, mais duas junto ao separador central). Isso permitiu acolher aproximadamente o dobro dos automóveis, mas criou outros problemas. Para além do número de passadeiras insuficientes para os moradores da Avenida que se deslocam ao BragaParque ou ao ecoponto que se encontra junto ao centro comercial, o estacionamento junto ao separador central veio reduzir a visibilidade nos cruzamentos com a Rua Álvaro Dória, entre outras.

A situação é particularmente grave porque está constantemente a haver acidentes nesses cruzamentos. Ainda que caiba aos automobilistas moderar a sua velocidade e assegurar a correta observância das regras de prioridade, enquanto morador considero que é praticamente inexistente a fiscalização pelas autoridades e, mais grave ainda, é extremamente difícil antever os veículos que se aproximam da esquerda dado que os veículos estacionados no centro até ao próprio cruzamento retiram a visibilidade.

Adicionalmente, é com alguma frequência que os veículos pesados longos que passam nesta zona não conseguem manobrar nos cruzamentos por causa do estacionamento excessivo.

Possíveis soluções poderiam passar por uma ou várias das seguintes medidas:

a) Eliminar completamente o estacionamento no meio da via, reservando o espaço adicional para passeios mais largos e/ou ciclovias de cariz utilitário.

b) Em alternativa, no mínimo, encurtar o estacionamento de modo a reservar alguns metros livres, que assegurem uma boa visibilidade em todos os cruzamentos,

c) Outra possibilidade a considerar seriamente seria implementar uma "Zona 30", com prioridade a peões e ciclistas, à semelhança do que já vai sendo feito noutros países europeus, nas zonas habitacionais.

d) Fiscalizar regularmente o estacionamento e o cumprimento de limites de velocidade na área em questão.

e) Criar estacionamento seguro e em quantidade alargada para bicicletas (seguindo as recomendações de design e localização da MUBI e da FPCUB) junto ao Braga Parque, de modo a reduzir a necessidade de recorrer ao automóvel para as deslocações a esta zona.

Porque o desenvolvimento de uma cidade não se mede na quantidade de automóveis que nela estacionam ou circulam, mas sim na qualidade de vida e no bem-estar dos cidadãos, é urgente repensar a cidade de Braga a uma nova luz. O automóvel não pode ser o objetivo principal das políticas de urbanismo: em primeiro lugar estão os cidadãos e o seu bem-estar. Daí que seja essencial apostar em boas condições para quem anda a pé ou de bicicleta (mesmo os próprios automobilistas também são peões quando não estão a usar o carro).

Espero que esta comunicação possa contribuir para a melhoria futura das condições de vida nesta zona e na cidade de Braga, e gostaria de receber uma resposta da v/ parte relativamente à posição da autarquia quanto aos assuntos expostos.

Sem outro assunto de momento, subscrevo-me com os melhores cumprimentos.
Victor Domingos

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ah!… e mais um vídeo!

Bem… estava mesmo a fechar o tasco por hoje, quando me entrou mais este vídeo porta adentro. Na RTP, foram entrevistados dois voluntários do projeto Bike Buddy, também eles utilizadores assíduos da bicicleta como meio de transporte no seu dia-a-dia. Mais bons exemplos a seguir.

Afinal, não foi mesmo um dia perdido, e parece que muita coisa se passou por esse país fora, em matéria de promoção da mobilidade sustentável. Eu é que estava atento a outras coisas :-)

No Dia Mundial Sem Carros… (vídeo)

…seria de esperar um cenário idílico, sem carros, com muita gente a circular a pé ou de bicicleta, ou mesmo de transportes públicos. Seria de esperar um dia muito diferente. Mas nem por isso. Em Braga, pelo menos, foi praticamente um dia igual a tantos outros. Estranho, não é?

Felizmente, para animar um pouquinho o que restava do meu dia, tropecei algures neste vídeo inspirador. Uma pessoa normal, como tantas outras afinal, para quem todos os dias podem ser verdadeiramente, e simplesmente, Dias Mundiais Sem Carros. Porque não?

O presidente da Câmara Municipal da Murtosa é ele mesmo um utilizador habitual da bicicleta como meio de transporte, e tem também promovido a opção por este meio de transporte junto da instituição a que preside. Um verdadeiro exemplo a seguir pelos nossos governantes, e não só.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Vídeo: Reportagem na SIC sobre a 1ª World Naked Bike Ride em Lisboa

É já este domingo que se realiza em Lisboa a 1ª edição nacional da World Naked Bike Ride. Este evento, que estava inicialmente agendado para o passado dia 5, foi entretanto adiado para não coincidir com a data das recentes eleições.

A SIC emitiu ontem uma reportagem divulgando este evento, a qual pode ser vista no vídeo abaixo.

O objetivo da WNBR é fazer um protesto pacífico, criativo e divertido contra a dependência do petróleo e a cultura do automóvel, ou a celebração da bicicleta e da individualidade do corpo humano. A nudez durante este evento simboliza a relativa vulnerabilidade do ciclista no trânsito.

A World Naked Bike Ride é um passeio de bicicleta internacional, em que as roupas são opcionais. Os participantes circulam em massa em meios de transporte de propulsão humana, como bicicletas, skates ou patins, com o objetivo de promover o ideal de um mundo mais limpo, mais seguro e mais positivo acerca do corpo humano.

A primeira Naked Bike Ride teve lugar em Saragoça, Espanha, em 2001. Dois anos mais tarde, Conrad Schmidt concebeu a World Naked Bike Ride depois de ter organizado outros eventos parecidos. O movimento começou a ganhar dimensão, de tal forma que em 2010, realizou-se já em 17 países, num total de 74 cidades, dos EUA ao Reino Unido, da Hungria ao Paraguai.

A partida da primeira World Naked Bike Ride portuguesa será do Parque Eduardo VII, em Lisboa. O lema é "pedala o mais nu que conseguires", ou seja, os participantes até podem ir vestidos, se assim preferirem. O pelotão irá então pedalar nu ou com a menor roupa possível, desde o Parque Eduardo VII até à torre de Belém.

Mais informações sobre este evento em Lisboa, no blog do projeto:

worldnakedbikeridelisboa.blogspot.com

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mini-sondagem #3: As políticas de mobilidade sustentável e ciclabilidade dos partidos políticos são um fator decisivo na sua intenção de voto?

No próximo domingo, dia 5 de junho, teremos eleições legislativas, das quais sairão um novo governo e uma nova distribuição de deputados na Assembleia da República. Os debates e as campanhas políticas nem sempre são tão esclarecedores quanto deles se esperaria. E o mesmo se poderia talvez dizer dos próprios programas eleitorais propostos pelos diversos partidos.

Foi talvez por esse motivo que a FPCUB decidiu consultar os partidos políticos com representação parlamentar relativamente à sua abordagem em matéria de Mobilidade Sustentável e Ciclabilidade. A informação (e a falta dela, em alguns casos) pode ser consultada aqui.

A este propósito, lançamos aos nossos leitores uma nova questão. Queremos, pois, saber se esta temática é para si de importância central. Isto é, se as políticas de mobilidade sustentável e ciclabilidade dos partidos políticos são um fator decisivo na sua intenção de voto, nestas eleições?

Massa Crítica de maio em Lisboa reuniu mais de uma centena de ciclistas urbanos

Referia, ainda estes dias, que maio foi um mês de eventos relacionados com a bicicultura e a mobilidade sustentável. A Massa Crítica de maio terá contado em Lisboa com cerca de 140 participantes. Um número que é tão impressionante como inspiradoras são as fotos desse evento. A maior parte dos participantes fizeram-se deslocar de bicicleta, mas houve quem escolhesse outras formas de transporte também não-poluentes, como ir a pé (porque não?) ou de patins.

A seleção de fotos abaixo foi gentilmente cedida pelo autor, Alexandre Páris. Mas vale a pena percorrer a extensa galeria que ele publicou nesta página.

domingo, 29 de maio de 2011

Muitos eventos com bicicletas por esse país fora, e o seu significado

Na última semana deste Mês das Bicicletas, proliferaram por este país os eventos sociais com bicicletas em contexto urbano. E nem a chuva foi capaz de demover dezenas ou centenas de participantes.

Como vem sendo habitual, na última sexta-feira de cada mês realiza-se de Norte a Sul, e também lá fora, a Bicicletada ou Massa Crítica. Umas vezes com menos participantes, outras com mais. Em Lisboa, diz que houve desta vez 126 participantes a pedalar pela cidade. Certamente que não são os únicos ciclistas urbanos da cidade de Lisboa, até porque estes eventos decorrem habitualmente num horário que para muitos será difícil de conciliar com as obrigações laborais. Mas é bom ver que mesmo assim existe uma forte adesão, mostrando união em torno da ideia de que a bicicleta é uma importante mais-valia para as cidades modernas e que devem ser criadas mais condições para o seu uso generalizado. Parabéns, Lisboa!

Também em Lisboa, realizou-se este sábado o 1º Evento Cycle Chic Lisboa, com quase 200 participantes. A chuva forte que se fez sentir não impediu que as bicicletas saíssem à rua com a naturalidade e elegância que lhes é própria. Parabéns à organização do evento!

Cá por Braga, costuma também realizar-se mensalmente a Massa Crítica (na qual infelizmente não tive ainda a oportunidade de participar), mas ainda não tive notícia sobre a última edição...

Em todo o caso, os Encontros com Pedal têm juntado aos fins de semana alguns dos ciclistas urbanos bracarenses. Com uma vertente um pouco menos reivindicativa e quicá mais prazerosa, juntam miúdos e graúdos em passeios descontraídos pelo centro da cidade. É uma espécie de turismo com os nossos vizinhos quase sem sair de casa - agrada-me particularmente o facto de haver lugar nestes passeios para os ciclistas de todas as idades.

Esta semana, houve ainda lugar para uma pedalada em dia útil, inserida na iniciativa "MOVE-TE PELA ESCLEROSE MÚLTIPLA". A organização dos Encontros com Pedal ajudou na divulgação do evento na cidade de Braga, mas pedaladas e caminhadas semelhantes decorreram no mesmo dia em cerca de uma dezena de cidades portuguesas. Mesmo não sendo um evento de promoção do ciclismo utilitário, não deixa de ser uma forma útil de dar uso à bicicleta.

...

Este tipo de eventos, que proliferam com a chegada da primavera e a aproximação do verão, mostram que 1) há muitas bicicletas prontas a usar nas cidades e que 2) há vontade de as usar. Falta apenas qualquer coisa para que essa vontade se concretize de forma mais frequente e generalizada.

A um nível individual, falta perder o receio de ser visto como um "maluquinho contra-corrente que deixa o automóvel em casa", e aprender a circular de bicicleta nas ruas da cidade de forma segura e eficiente. Para além do conhecimento do Código da Estrada, pode ser particularmente útil o contacto com ciclistas urbanos mais experientes, ou então a leitura das suas experiências, algo que é extremamente fácil de encontrar na Internet. As comunidades de ciclistas urbanos, como os Encontros com Pedal, a Massa Crítica e a MUBi, podem certamente dar uma ajuda preciosa nesse processo.

A um nível local, é necessário criar condições que promovam e facilitem o uso normal da bicicleta como meio de transporte. Apontaria, como exemplo, a criação de uma rede de vias cicláveis (não necessariamente ciclovias, mas vias onde esteja efetivamente prevista a circulação de bicicletas) a unir os principais pontos da cidade, com piso, dimensão, inclinação e regulamentação adequada a esse meio de transporte. Muitas dessas vias podem perfeitamente ser as ruas já existentes, com pequenos ajustes na sinalização horizontal e vertical. Noutros casos, pode ser útil por exemplo a demarcação de uma área reservada a ciclistas, ou uma faixa partilhada entre estes e os transportes públicos. Devem estar previstos estacionamentos adequados (isto é, que permitam prender facilmente o quadro e ambas as rodas da bicicleta, sem a danificar), em quantidade suficiente, por toda a cidade.

A um nível nacional, é urgente alterar o Código da Estrada por forma a aumentar a segurança dos ciclistas, por exemplo promovendo uma acalmia de trânsito nos centros urbanos e aplicando o princípio da proteção dos mais vulneráveis (peões ou ciclistas). É também importante promover a formação de condutores (de bicicletas ou eventualmente de outros veículos) desde cedo, nas escolas. O Primeiro Ciclo pode e deve dar os primeiros ensinamentos sobre como se usa uma bicicleta como meio de transporte útil, uma formação que se deve estender ao longo dos ciclos seguintes. As escolas de condução podem e devem aproveitar para propor aos seus clientes cursos de condução de bicicleta - um serviço que para além de ser inovador, fará com que não fiquem de fora da corrida quando o carro deixar de ser a primeira opção. Acrescentaria ainda que em matéria de legislação e Orçamento de Estado muito mais se pode pensar e fazer. Benefícios fiscais para quem opta por comprar e usar bicicleta em vez do carro, subsídio de transporte no emprego para quem for de bicicleta, programas de apoio à compra e utilização de bicicletas utilitárias, etc.

Num tempo em que o orçamento familiar vai encolhendo e o preço do petróleo vai aumentando, é natural que cada vez mais pessoas se interessem por este meio de transporte que além de económico é amigo do ambiente. Parece haver um aumento desse interesse, e podemos mesmo estar num momento-chave para uma evolução positiva em matéria de mobilidade sustentável. Nesta matéria, como afinal em tantas outras, cabe a todos e a cada um dar o seu contributo pessoal.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Porquê pedalar e andar a pé? (vídeo)

Alguns dos benefícios de andar a pé e de bicicleta em vez de usar veículos a motor.

terça-feira, 26 de abril de 2011

World Bicycle Relief - melhorar as condições de vida nos países em desenvolvimento

A bicicleta é vista muitas vezes como um objeto de luxo, como um brinquedo ou objeto de lazer ou ainda como coisa de pobres. No entanto, a bicicleta em geral encerra em si várias características que a tornam como um meio de transporte ideal para pequenas e médias distâncias, independentemente da idade ou da classe social. É um meio de transporte não-poluente, económico, silencioso, saudável, altamente eficiente em termos energéticos e, comparativamente com o automóvel, ocupa muito menos espaço em casa, no trabalho ou na via pública.

As suas potencialidades são praticamente inesgotáveis, e isso é o que nos provam não só as experiências urbanas em alguns países desenvolvidos (Holanda, Dinamarca, etc.), mas também um certo número de projetos de beneficência nos países menos desenvolvidos. É o caso, por exemplo, do World Bicycle Relief, que tem mudado para melhor muitas vidas, simplesmente disponibilizando bicicletas às comunidades e formando mecânicos para atuarem no terreno. Trata-se de um projeto que tem tido presença em países como a Zâmbia, o Quénia, o Zimbábue e Sri Lanka.

sábado, 2 de abril de 2011

Reportagem na RTP sobre o uso da bicicleta no Porto

A RTP transmitiu estes dias no Jornal da Tarde uma reportagem sobre o uso crescente da bicicleta como meio de transporte na cidade do Porto. Como anfitrião principal, aparece o Sérgio Moura, arquiteto de profissão e fotógrafo nas horas vagas, e também ele um convicto ciclista urbano.

País - Cada vez mais pessoas começam a ir de bicicleta para o emprego - RTP Noticias, Vídeo

Voluntários da MUBI ajudam ciclistas menos experientes a pedalar na cidade

A MUBI - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta acaba de lançar em Lisboa a iniciativa Bike Buddy, com o objetivo de ajudar os ciclistas menos experientes a começar a pedalar na cidade.

O projeto Bike Buddy funciona em regime de voluntariado e conta já com a colaboração de 16 voluntários, todos eles utilizadores habituais da bicicleta como meio de transporte. A ideia consiste em colocar à disposição de cada ciclista um bike buddy, isto é, um utilizador experiente de veículos de duas rodas disponível para ajudar a selecionar os melhores percursos e a acompanhá-lo nas suas primeiras deslocações na cidade.

Espera-se assim ajudar as pessoas a vencer o medo do trânsito automóvel, ensinando as competências necessárias para que os novos ciclistas possam circular com segurança nas ruas de Lisboa.

A iniciativa arrancou ainda esta semana em Lisboa, mas já se fala na possibilidade de a alargar a outras cidades, se for possível reunir voluntários em número suficiente.

É bom ver a comunidade a organizar-se de forma a prestar apoio prático a quem dele precisa. É muito frequente falarmos com pessoas que nos dizem "eu também devia deixar o carro e ir de bicicleta", mas que em última análise têm receio de enfrentar o trânsito automóvel, o cansaço das subidas ou, simplesmente, o desconhecido.

Parabéns à malta da MUBI por esta excelente iniciativa!

Nota: Saiu ontem notícia sobre este projeto no Público.pt e anteontem no Sapo Notícias (via Lusa).

Aveiro promove uso da bicicleta

Ainda não conhecia este vídeo, que encontrei recentemente no Lisbon Cycle Chic. Ainda não é muito frequente vermos em Portugal vídeos desta qualidade a promover a utilização da bicicleta como meio de transporte, por isso é de aplaudir a iniciativa.

Gostava muito de ver um destes dias um vídeo deste tipo produzido por iniciativa da Câmara Municipal de Braga. Seria um sinal evidente de que algumas coisas estariam a mudar para melhor!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Motorista atropela dezenas de ciclistas na MC de Porto Alegre (Brasil)

Ontem, em muitas cidades espalhadas por diversos continentes, foi dia de Bicicletada ou Massa Crítica. Em Portugal, o evento realizou-se também de norte a sul, celebrando como habitualmente a "mobilidade suave", tendo decorrido com normalidade. No entanto, do outro lado lado do atlântico, chega-nos a notícia de um lamentável incidente ocorrido durante a Massa Crítica de Porto Alegre. Um automobilista acelerou em direção ao grupo de ciclistas, tendo ferido 10 dos participantes. De acordo com relatos de alguns dos presentes, não se tratou de um acidente mas sim de um atropelamento intencional.

A notícia pode ser lida por exemplo aqui ou no Correio do Povo. Abaixo, fica um vídeo com depoimentos das testemunhas poucos minutos após o atropelamento.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Massa Crítica em Braga com mais 90% de adesão

A segunda edição da Massa Crítica em Braga contou ontem com a participação de um grupo de 15 pessoas, um aumento de cerca de 90% em relação à primeira edição realizada em Janeiro.

Ainda não foi desta que pude participar no evento, por incompatibilidade de horários, mas ainda me cruzei com alguns dos presentes, no momento das despedidas. Fiquei a saber por exemplo que houve até cobertura da comunicação social, com direito a fotos e entrevistas.

É caso para dizer que Braga está de parabéns, mais uma vez!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta

A MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta lançou estes dias o seu novo site. Trata-se de uma associação portuguesa de ciclistas urbanos que procuram melhorar as condições para o uso da bicicleta como meio de transporte utilitário e recreativo em Portugal. Vale a pena uma visita e, quem sabe, tornar-se sócio(a).

O site está disponível no endereço: mubi.pt

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Morte aos Ciclistas! (vídeo)

 

Devo confessar que hesitei longamente antes de me decidir a publicar este vídeo. O linguajar agressivo e a simbologia fálica utilizada ao longo do videoclip não me agradam particularmente, mas creio que, de certo modo, consegue ilustrar a visão que alguns automobilistas ainda têm perante as bicicletas.

Não sejamos ingénuos... Claro que a música em questão parece ser apenas uma mera paródia com fins humorísticos. É evidente que, apesar de tudo, há em Portugal a circular nas ruas muitos automobilistas conscientes e respeitadores - felizmente! - e ainda mais ciclistas bem-humorados.

Mas ainda há muito por fazer em termos de educação para a cidadania. Há uns tempos atrás, pareceu-me ouvir alguém a gritar da janela de um carro que passava por mim a frase "Morte aos ciclistas!". Para mim, tanto fez - lá segui viagem calmamente, sem me importar minimamente com o sucedido. Dias mais tarde, quando comentava a peripécia com uns amigos, explicaram-me que havia uma música chamada assim. Fui encontrá-la na net e assim a partilho hoje convosco.

Um destes dias, trago uma música mais bem-disposta - prometo! :-)

 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Petição para a alteração do Código da Estrada, em defesa dos direitos de ciclistas e peões

Encontra-se a decorrer, por iniciativa da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB), uma petição dirigida à Assembleia da República, com o objectivo de promover a alteração do Código da Estrada, defendendo os direitos de ciclistas e peões.

De acordo com o texto da petição, "a bicicleta não pode ser encarada apenas como mero equipamento desportivo ou recreativo, mas antes como um normal modo de transporte que deve ser incentivado enquanto alternativa socialmente responsável às pequenas deslocações de automóvel, sobretudo numa altura em que urge reduzir a dependência da energia fóssil e a emissão de gases com efeitos de estufa".

É que, apesar de em diversos países europeus a legislação contemplar já um vasto conjunto de medidas destinadas à proteção dos peões e dos ciclistas, em Portugal continuamos a ter um Código da Estrada que "não protege o ciclista, contendo até normas que encorajam comportamentos de risco por parte de outros utilizadores da via pública, designadamente os automobilistas".

Esta é uma iniciativa que saudamos com entusiasmo. Não só porque queremos ruas e estradas mais amigas dos ciclistas, mas também - e sobretudo - porque acreditamos num futuro melhor para as nossas cidades e vilas e num estilo de vida mais saudável e mais agradável para as pessoas que nelas habitam e laboram.

A petição "Alteração do Código da Estrada Reforçando Direitos de Ciclistas e Peões" pode ser lida e assinada a partir do seguinte endereço:

www.peticaopublica.com/?pi=proque