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segunda-feira, 25 de junho de 2012

De bicicleta para o S. João de Braga, de fato e gravata

Quem me conhece sabe que, para além de me fazer deslocar de bicicleta para todo o lado na cidade de Braga, também toco trombone numa banda filarmónica. Ora acontece que a minha banda veio este ano animar uma vez mais as festividades são-joaninas desta cidade. Foi este domingo. Não resisti, e acabei por ir de bicicleta.

O primeiro desafio consistia em fazer transportar um estojo gigante na bagageira da bicicleta. Felizmente, tinha à mão um esticador elástico Triobinder Hook, que desempenhou o seu papel na perfeição. A bagageira da minha bicicleta passou assim a medir cerca de um metro de largura...

Durante o dia, precisei de prender a bicicleta em vários locais da cidade, conforme as exigências do serviço. Logo de manhã, na Avenida Central, deparei-me com a já habitual ausência de estacionamentos para bicicletas. Resolvi como pude, improvisando um lugar de estacionamento com um dos arcos que integravam a decoração festiva.

Mais tarde, já no Parque de S. João da Ponte, que foi recentemente objeto de obras de regeneração, senti falta de um local próprio para prender a bicicleta em segurança. Não havia, apesar das tais obras recentes. Uma vez mais, socorri-me da minha capacidade de desenrasque e prendi a bicicleta nos bastidores do coreto onde a minha banda ia passar a manhã a tocar.

Podia deitar um olho de vez em quando à bicicleta, o que me deixava um pouco mais descansado. No dia de S. João, o sol convidava e muitos eram os ciclistas que circulavam discretamente pela cidade, por entre o mar de gente. Não foi, por isso de estranhar que, passado pouco tempo, ela tivesse arranjado companhia, como se pode ver na foto.

À hora de almoço, pude desfrutar da bicicleta em todo o seu esplendor: bastou pegar nela e partir descontraidamente em direção a casa para um almoço descansado. Sem filas de trânsito, sem stress a procurar estacionamento, sem volante e bancos a queimar da exposição ao sol…

Mais para o final do dia, à hora da procissão, tive o meu momento de angústia. Tinha de deixar a bicicleta sem supervisão durante cerca de duas horas! Para piorar a situação, junto à Sé de Braga, não existiam estacionamentos nem nada parecido. A afluência de pessoas dificultava a passagem e a procura de um estacionamento improvisado. Acabei por inventar um bicicletário prendendo a bicicleta ao poste de uma esplanada que, por sorte, estava encerrada naquela hora. A minha bagagem ficou confiada à receção de uma albergaria daquela rua. O funcionário foi extremamente simpático. Felizmente, quando a procissão terminou, a bicicleta estava no mesmo sítio onde a tinha deixado. Respirei de alívio...

Há uma primeira vez para tudo, e foi assim a primeira vez que andei de bicicleta de fato e gravata. Apesar do stress de não haver estacionamento de confiança, devo dizer que a experiência correu muito bem. Cheguei a cada um dos destinos rapidamente, sem sujar o fato, sem perder a bagagem, sem suar demasiado... e sem perder a bicicleta.

Nota: O presidente da banda, ao ver-me chegar ao serviço de bicicleta, disse-me: "Isto é o futuro!". Ao que eu respondi: "É mesmo!…"

domingo, 22 de janeiro de 2012

A primeira resposta à Carta Aberta

Na sequência da minha recente Carta Aberta aos órgãos autárquicos locais, recebi poucas horas depois uma resposta da Junta de Freguesia. Aparentemente, pouco mais podem fazer do que alertar o Departamento de Trânsito da CMB e para ele encaminhar este tipo de contactos. Saúdo a rápida resposta desta instituição, mas ficarei a aguardar uma resposta, que espero ser um pouco mais substancial, da parte da Câmara Municipal…

 

De: Junta de Freguesia de S. Victor (Presidente)
Enviada: sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012 15:54
Para: 'Freguesia de S. Victor - Braga (Geral)'
Assunto: RE: Carta aberta à Câmara Municipal de Braga e Junta de Freguesia de S. Vítor

Para enviar ao autor da CARTA ABERTA

Recebemos e damos boa nota das preocupações quanto à avaliação pessoal que fez da situação do tráfego na Avenida Antero de Quental, nesta Freguesia.
Como somos “visados directos na carta aberta” que nos fez chegar, do mesmo modo que à comunicação social, o que saudamos, sempre poderemos adiantar que “em sede própria” muito antes desta nota, já endossamos junto da “única entidade competente” o Departamento de TRÂNSITO da Câmara Municipal de Braga, um conjunto de sugestões tendo em vista a melhoria da fluidez do tráfego e da segurança de automobilistas e de peões, naquele como noutros locais da nossa Autarquia. Reconhece e ainda bem alguns efeitos positivos de algumas medidas ali implementadas, pelo que nesse sentido iremos endossar à Câmara Municipal de Braga, pela “via Institucional” o seu conjunto de análise e sugestões.
Apresentamos desde já os nossos cumprimentos,

Firmino Marques
Presidente da Junta de Freguesia de São Victor


Abaixo deixo uma foto que mostra um dos sentidos de trânsito da avenida em questão, com estacionamento automóvel de ambos os lados e entrecortada por vários cruzamentos. Um dos problemas é que o estacionamento na parte central vai até junto aos cruzamentos, retirando a visibilidade necessária aos condutores. Há constantemente acidentes nesses cruzamentos e, ocasionalmente, há até dificuldade de manobra com veículos pesados, que não conseguem curvar por causa dos carros estacionados. Adicionalmente, as passadeiras existentes, para além de mal instaladas, são em número e localização insuficiente, tendo em conta a proximidade do centro comercial e do ecoponto.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Carta aberta à Câmara Municipal de Braga e Junta de Freguesia de S. Vítor

Farto de assistir a acidentes patetas, completamente indesejáveis e perfeitamente evitáveis na minha rua, decidi enviar uma carta aberta aos órgãos autárquicos locais. Não sei se terá algum efeito prático imediato, mas espero que contribua para sensibilizar os responsáveis para as questões que afetam o bem-estar dos cidadãos. Logo que tiver uma resposta de uma ou de outra parte, darei aqui conhecimento da mesma.


Ex.mos Srs.

Venho trazer ao v/ conhecimento uma situação de alguma gravidade na qual considero que a Autarquia tem uma quota de responsabilidade, se não nas causas, pelo menos na sua possível resolução. Trata-se do ordenamento de trânsito na Avenida Antero de Quental (junto ao centro comercial Braga Parque) e ruas adjacentes.

Quando esta área comercial e habitacional foi criada, a Av. Antero de Quental tinha duas faixas de circulação em cada sentido, e mais duas filas de estacionamento nas bermas (uma em cada sentido de circulação). Na altura, recordo-me de ver que o excesso de viaturas automóveis estacionadas era tal que os automobilistas começaram a estacionar ilegalmente na via pública, junto ao separador central. A resposta da autarquia, ou da autoridade com competência nessa área, passou por institucionalizar esse estacionamento que antes era ilegal. A partir daí, passou a haver apenas uma via de circulação em cada sentido (que considero suficiente) e quatro faixas para estacionamento automóvel (as duas já existentes nas bermas, mais duas junto ao separador central). Isso permitiu acolher aproximadamente o dobro dos automóveis, mas criou outros problemas. Para além do número de passadeiras insuficientes para os moradores da Avenida que se deslocam ao BragaParque ou ao ecoponto que se encontra junto ao centro comercial, o estacionamento junto ao separador central veio reduzir a visibilidade nos cruzamentos com a Rua Álvaro Dória, entre outras.

A situação é particularmente grave porque está constantemente a haver acidentes nesses cruzamentos. Ainda que caiba aos automobilistas moderar a sua velocidade e assegurar a correta observância das regras de prioridade, enquanto morador considero que é praticamente inexistente a fiscalização pelas autoridades e, mais grave ainda, é extremamente difícil antever os veículos que se aproximam da esquerda dado que os veículos estacionados no centro até ao próprio cruzamento retiram a visibilidade.

Adicionalmente, é com alguma frequência que os veículos pesados longos que passam nesta zona não conseguem manobrar nos cruzamentos por causa do estacionamento excessivo.

Possíveis soluções poderiam passar por uma ou várias das seguintes medidas:

a) Eliminar completamente o estacionamento no meio da via, reservando o espaço adicional para passeios mais largos e/ou ciclovias de cariz utilitário.

b) Em alternativa, no mínimo, encurtar o estacionamento de modo a reservar alguns metros livres, que assegurem uma boa visibilidade em todos os cruzamentos,

c) Outra possibilidade a considerar seriamente seria implementar uma "Zona 30", com prioridade a peões e ciclistas, à semelhança do que já vai sendo feito noutros países europeus, nas zonas habitacionais.

d) Fiscalizar regularmente o estacionamento e o cumprimento de limites de velocidade na área em questão.

e) Criar estacionamento seguro e em quantidade alargada para bicicletas (seguindo as recomendações de design e localização da MUBI e da FPCUB) junto ao Braga Parque, de modo a reduzir a necessidade de recorrer ao automóvel para as deslocações a esta zona.

Porque o desenvolvimento de uma cidade não se mede na quantidade de automóveis que nela estacionam ou circulam, mas sim na qualidade de vida e no bem-estar dos cidadãos, é urgente repensar a cidade de Braga a uma nova luz. O automóvel não pode ser o objetivo principal das políticas de urbanismo: em primeiro lugar estão os cidadãos e o seu bem-estar. Daí que seja essencial apostar em boas condições para quem anda a pé ou de bicicleta (mesmo os próprios automobilistas também são peões quando não estão a usar o carro).

Espero que esta comunicação possa contribuir para a melhoria futura das condições de vida nesta zona e na cidade de Braga, e gostaria de receber uma resposta da v/ parte relativamente à posição da autarquia quanto aos assuntos expostos.

Sem outro assunto de momento, subscrevo-me com os melhores cumprimentos.
Victor Domingos

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A bicicleta na Revista SIM

Acaba de me passar pelas mãos o mais recente número da Revista SIM e, lá dentro, mais uma edição da série "Vidas com Pedal", desta vez com um retrato deste vosso amigo…

"Vidas com pedal" é o nome de uma interessante série de artigos, da autoria de Sérgio Parente, sobre algumas das pessoas que usam quotidianamente a bicicleta na cidade de Braga. Para quem não sabe, o Sérgio, psicólogo de profissão e também ele um notável ciclista urbano desta mesma cidade, é fundador e coordenador do movimento comunitário bracarense "Encontros com Pedal".

Aqui fica o boneco… Fiquei um bocadinho mais sério na fotografia do que esperava, mas a bicicleta sempre aligeira um pouco a coisa, espero! :-)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Da bicicleta e de outras pedaladas minhas…

Pois é… ultimamente tenho vindo a publicar de forma mais espaçada neste blog, mas continuo a pedalar diariamente e a redescobrir as vantagens deste meio de transporte.

Ainda esta semana, num dia de chuva forte e vento intenso, dei por mim cá em Braga a circular alegremente (dentro de um impermeável, claro!) ultrapassando filas e filas e filas de carros parados por causa das inundações e, talvez, dos acidentes.

Era um daqueles dias em que poucos se atreveriam a sair à rua de bicicleta, mas acabou por tornar-se uma benção. O trânsito em Braga estava caótico (algo que não é nada habitual por cá) e a bicicleta era o meio de transporte ideal nessas condições. Felizmente, filas de carros parados como aquelas não são obstáculo para um ciclista. Cheguei rapidamente a casa, sem stress e, graças ao impermeável e aos guarda-lamas, com a roupa e o corpo perfeitamente secos.

Outras pedaladas minhas…

Um dos motivos que me têm afastado um pouco da escrita neste espaço é um outro projeto pessoal em que estou envolvido neste momento. Estou a tratar da reedição dos meus trabalhos literários em formato digital, e isso tem obrigado a bastante trabalho.

Os curiosos poderão começar por visitar o meu novo "site oficial", onde irei dando notícia dos livros que vou publicando:

www.victordomingos.com

Esta semana, consegui finalmente lançar um pequeno livro de ficção na Apple iBookstore (para iPad, iPhone e iPod touch), na Smashwords (edição multiformato) e na Amazon Kindle Store (claro está, para dispositivos e aplicações Kindle). A obra chama-se "As Confissões de Dulce" e é uma abordagem alternativa à personalidade de uma das primeiras rainhas de Portugal. Não é um livro muito extenso, pelo que pode ser uma excelente leitura até através de um simples smartphone. Mais informação sobre este tema, nesta página. A quem interessar, por favor escolha a loja preferida e compre o livro (custa menos que meia dúzia de ovos Kinder, e ainda por cima não faz engordar). Desde já, agradeço :-)

 

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domingo, 16 de outubro de 2011

Sobre a necessidade de ciclovias

Sempre que se fala de promoção do uso da bicicleta na cidade, discute-se a necessidade de ciclovias. Não sou nenhum perito em urbanismo ou em ordenamento de trânsito mas, enquanto cidadão e utente das ruas e da bicicleta, tenho algumas humildes opiniões sobre o assunto. Acrescente-se a isto que a minha experiência e as minhas sugestões mais específicas referem-se quase sempre à cidade de Braga, onde resido atualmente e onde vou votar em todas as eleições (leram bem isto, senhores governantes?).

As ciclovias, se forem bem pensadas e bem implementadas no contexto de uma rede de vias cicláveis (ou seja, o conjunto dos diferentes tipos de vias onde circularão as bicicletas na cidade e arredores), podem ser uma peça importante na criação de condições para uma maior utilização da bicicleta nesta cidade.

Devem ligar de forma lógica e integrada, e bidireccionalmente, todos os pontos principais da cidade, incluindo as estações terminais de transportes públicos, zonas e centros comerciais, polos empresariais ou industriais, zonas habitacionais, áreas de lazer e de desporto, escolas e universidades.

Na concepção de vias cicláveis segregadas (ciclovias, ciclofaixas…), deve evitar-se alguns erros infelizmente muito comuns. Por exemplo: roubar espaço aos peões para criar ciclovias, manter zonas de perigo junto à faixa de rodagem reservada a ciclistas (como lugares de estacionamento sem separador nem distância de segurança) ou permitir ou facilitar a circulação de peões ou de veículos motorizados. Outro erro comum que deve ser evitado é a atribuição de uma largura insuficiente, que impede o cruzamento (nas vias de dois sentidos) ou a ultrapassagem por outros ciclistas, em condições de segurança. É particularmente delicada nestas infra-estruturas a intersecção entre vias, pelo que deve ser dada a devida atenção à cuidadosa planificação de entroncamentos, cruzamentos e rotundas. Mau exemplo de como se implementa uma ciclovia, no Porto

Não creio que todas as vias cicláveis tenham de ser necessariamente ciclovias, mas em alguns casos essa é a melhor opção. O importante é que a cidade seja repensada globalmente em função da desejada mobilidade sustentável e seja criada uma rede de vias cicláveis - um mapa da cidade que possa ser proposto aos cidadãos que já usam ou que desejam começar a utilizar de forma regular a bicicleta como meio de transporte.

Mas há mais medidas que fazem falta... Por exemplo:

  • Estacionamentos para bicicletas em quantidade adequada, em locais próprios e com um design funcional.
  • Criação de corredores Bici+Bus (ou eventualmente, Bici+Bus+Moto) em ruas que actualmente têm sentido único apenas para transportes públicos. Um exemplo paradigmático é a Rua D. Pedro V, onde esta medida deveria ser acompanhada, na minha opinião, por uma fiscalização mais assídua do estacionamento ilegal e eventual redução das áreas reservadas a estacionamento automóvel.
  • Promoção da intermodalidade(p.ex., comboio + Bicicleta), assegurando as condições necessárias ao transporte de bicicletas nos comboios entre Braga e outras cidades, e divulgando amplamente essa opção económica e ecológica junto dos estudantes universitários e dos trabalhadores que fazem diariamente essa viagem.
  • Acalmia de tráfego, isto é, a redução da velocidade máxima em certas vias, e a devida fiscalização. Ainda há dias, na vizinha Espanha, vi agentes da autoridade a fiscalizarem uma "zona 30" com radar de segurança. Aqui além de praticamente ainda não existirem zonas 30, pura e simplesmente não existe fiscalização e quase ninguém cumpre os limites de velocidade dentro das localidades.
  • Criação de mais zonas amplas para os cidadãos: retirar espaço aos carros e devolvê-lo prioritariamente a peões, regulando devidamente o seu uso por parte de veículos. Em algumas cidades, existem ruas em que as crianças podem brincar em segurança: os carros e demais veículos são obrigados a respeitar os peões reduzindo a velocidade e dando-lhes sempre prioridade. Em Barcelona, as bicicletas podem usar determinados passeios, mas reduzindo a sua velocidade máxima para 15km/h para evitar acidentes com peões.

Seria interessante e muito útil que algum académico realizasse um estudo com rigor científico, no que se refere à questão da mobilidade sustentável em Braga. Talvez algo do género do que fez o Eng. Paulo Guerra Dos Santos na cidade de Lisboa. Uma análise sistematizada das vantagens de cada meio de transporte, e mesmo da intermodalidade, em diferentes cenários; dos obstáculos actualmente existentes a uma mobilidade mais sustentável e promotora de uma maior qualidade de vida para os cidadãos; e ainda das soluções mais indicadas, numa lógica de conjunto, para esta cidade.

Será que já algum dia alguém da Universidade do Minho elaborou alguma tese sobre estes assuntos?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

9ª Massa Crítica em Braga

Tal como já vem sendo habitual, na última sexta-feira do mês realiza-se em várias cidades portuguesas e estrangeiras a Massa Crítica, ou Bicicletada. De norte a sul, e em diferentes continentes, os ciclistas urbanos (habituais ou esporádicos) unem-se para partilhar e celebrar a mobilidade sustentável. É uma oportunidade para partilhar experiências, divulgar a bicicleta enquanto meio de transporte útil e sensibilizar a população.

Em Braga, o ponto de encontro escolhido é o chafariz da Arcada (Av. Central, a partir das 18h30). Se estiver por perto de Braga, já sabe: pegue na sua bicicleta e venha para a rua celebrar a mobilidade sustentável!

Mais informações sobre este evento mensal estão disponíveis, como habitualmente, na página da Massa Crítica Braga, no Facebook, ou no site da Massa Crítica - Portugal.

sábado, 30 de julho de 2011

Foto e percurso da 7ª Massa Crítica de Braga

Conforme vem sendo tradição desde… há cerca de um mês, aqui fica a foto de grupo da 7ª Massa Crítica de Braga, que se realizou na passada sexta-feira, dia 29 de julho.

O grupo reuniu por volta das 18h30 e, enquanto aguardávamos a eventual chegada de mais participantes, fomos discutindo o trajeto a percorrer nesse dia. Arrancámos eram talvez já cerca das 19h seguindo o percurso do mapa abaixo (linha a verde).

Este percurso sai do centro e passa junto a alguns pontos importantes da cidade (Av. Central, Mercado Municipal, Central de Camionagem, Estação de Comboios, Parque da Ponte, Estádio 1º de Maio, Parque de Exposições, Tribunal, centros comerciais…). Se, por um lado, é fácil perceber a importância de cada um destes locais para o dia-a-dia dos bracarenses, nem sempre parece ser óbvia a necessidade de uma intervenção nas respetivas vias de acesso.

Esquecendo por momentos a questão mais ou menos secundária da qualidade do piso (o paralelo é muito mal tolerado por boa parte das bicicletas), há certos pontos do percurso deste mês que são de certa forma pouco amigos dos ciclistas -e dos peões, já agora.

Vejamos o caso da Estação de Braga: a Av. António Macedo e a Rua do Caires, que são parte integrante da nossa pseudo-autoestrada de estimação, com as velocidades excessivas (sobretudo na primeira) e estacionamento abusivos (sobretudo na segunda) não facilitam nem a circulação em segurança das bicicletas nem a dos peões.

Outro caso crítico é o acesso à zona do Parque da Ponte, onde se situam também o Parque de Exposições e o Estádio 1º de Maio. A meu ver, justificar-se-ia aqui a presença de uma boa ciclovia ou ciclofaixa a ligar esta zona ao centro histórico, através da Av. da Liberdade. Há demasiadas faixas de rodagem, cruzamentos, e ainda uma rotunda, que tornam muito confusa a interação entre ciclistas e os restantes veículos. Em casos como estes, torna-se crucial a atenção de todos eles, uma sinalização bem visível por parte dos ciclistas e muita muita cautela. E, além da tal ciclovia, davam jeito alguns ajustes ao código da estrada

Finalmente, quando nos dirigimos do Parque de Exposições para a zona do Braga Parque, utilizando a Av. João XXI e a Av. João Paulo II, deparamo-nos com uma nova rotunda que, embora sendo útil à circulação automóvel com as suas passagens aéreas e subterrâneas e as várias faixas de circulação, dificulta imenso a interação entre ciclistas e demais veículos. Este, creio eu, é um problema nacional, que só uma revisão do Código da Estrada e um estudo aprofundado das soluções de ordenamento de tráfego utilizadas lá fora poderiam solucionar. Em todo o caso, no meu Mapa Ideal da Cidade de Braga, certamente que haveria aqui mais umas ciclovias ou ciclofaixas a fazer a ligação entre o Minho Center, o Braga Parque, o Parque de Exposições e a Universidade do Minho. Ou então alguma outra solução mais adequada, que não implique as bicicletas meterem-se à frente dos carros e camiões que saem da rotunda, nem os ciclistas terem de apear-se sempre que têm de contornar uma rotunda.

[Clique aqui para ver o trajeto no Google Maps]

Quando chegámos à Av. Padre Júlio Fragata (após cerca de 7,5km a pedalar), parte dos participantes precisavam de ir embora, pelo que parámos para tirar a foto de grupo e fazer as despedidas. Os que ficámos, seguimos um atalho de volta para o centro (linha a azul) e aproveitámos para ir tomar um copo sem álcool e intercalado com dois dedos de conversa.

De certo modo, esta bicicletada foi uma aventura feita em modo suave. Por algum motivo os ciclistas urbanos de Braga tendem a evitar algumas destas vias, contra a lógica dos mapas!… Há algumas ruas excelentes para pedalar em Braga, mas - atenção, senhores governantes e demais responsáveis pelas nossas ruas e estradas! - há ainda muito por fazer para tornar Braga uma cidade realmente amiga dos cidadãos que nela se deslocam a pé e/ou de bicicleta!

Para quem não pôde participar nesta edição da Massa Crítica Braga, fica o convite: última 6ª feira de cada mês, ao fim da tarde. A próxima é no dia 26 de agosto.

Mais informações sobre este evento mensal estão disponíveis, como habitualmente, na página da Massa Crítica Braga, no Facebook, ou no site da Massa Crítica - Portugal.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ciclismo Urbano em Braga

Acaba de ser constituído no Facebook o grupo Ciclismo Urbano em Braga. Trata-se de um espaço on-line que pretende funcionar como ponto de encontro e de partilha de experiências e ideias da comunidade de utilizadores da bicicleta como meio de transporte na cidade de Braga.

Este novo grupo, cuja criação foi inspirada no modelo portuense, servirá também como ponto de partida para os ciclistas de Braga se irem conhecendo. E, quem sabe, talvez daqui venham a surgir outras iniciativas que contribuam para uma maior e melhor utilização da bicicleta e Braga e para o progresso no sentido de uma cidade mais amiga dos seus cidadãos ciclistas.

O grupo é aberto, o que significa que todos podem aderir e participar. Pode ser encontrado nesta página.

7ª Massa Crítica em Braga

Tal como já vem sendo habitual, na última sexta-feira do mês realiza-se em várias cidades portuguesas e estrangeiras a Massa Crítica, ou Bicicletada. De norte a sul, e em diferentes continentes, os ciclistas urbanos (habituais ou esporádicos) unem-se para partilhar e celebrar a mobilidade sustentável. É uma oportunidade para partilhar experiências, divulgar a bicicleta enquanto meio de transporte útil e sensibilizar a população.

Em Braga, o ponto de encontro escolhido é o chafariz da Arcada (Av. Central, a partir das 18h30). Se estiver por perto de Braga, já sabe: pegue na sua bicicleta e venha para a rua celebrar a mobilidade sustentável!

Mais informações sobre este evento mensal estão disponíveis, como habitualmente, na página da Massa Crítica Braga, no Facebook, ou no site da Massa Crítica - Portugal.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um sarau cultural com bicicletas à mistura, em Braga

Tive estes dias a oportunidade de participar cá em Braga numa agradável tertúlia noturna, realizada no âmbito dos Encontros com Pedal.

Já andava há algum tempo para participar num desses encontros, mas ainda não havia sido possível conciliar agendas. Desta vez, o ponto de encontro era a esplanada do café Brasileira, no centro da cidade. Cheguei por volta das 22h e quase sem saber fiz parte do caminho pedalando lado a lado com um turista alemão, que também lá veio ter. Já estavam umas quantas bicicletas estacionadas junto à esplanada, num cenário que parecia enquadrar Braga num certo espírito amesterdanesco.

Arranjei cadeira, mandei vir um café e, em companhia de ciclistas, assisti a um serão que passou de concerto a sarau musical, com a guitarra a passar de mão em mão e músicos de varias nacionalidades a partilharem com o publico as suas melodias preferidas. Uma lufada de ar fresco nesta que é (ainda) uma cidade de popós.

Podia ser um evento cicloturístico. Podia ser uma prova de um qualquer ciclodesporto radical... Mas não. Era simplesmente um encontro descontraído numa esplanada do centro, em que as pessoas lá haviam chegado de bicicleta. Num cenário ideal, isto seria o normal de qualquer sexta-feira ou sábado à noite. Mas para já são apenas exceções que aos poucos se vão tornando numa nova regra.

Mais tarde, depois de algumas bebidas e muitas canções, houve um pequeno sorteio simbólico e no final fomos fazer um passeio - também ele simbólico - pela cidade. Eram mais de vinte bicicletas a circular pelas ruas de Braga, cuja vida noturna ainda pulsava a bom ritmo.

Parámos por volta das 1h da manhã à porta da Zenmotions, a empresa que patrocinara essa edição do evento. Lá dentro, para além de um espaço bonito e convidativo, havia chá, chá com vodka (gostaram da combinação?) e bolinho :-)

Depois de recarregadas as baterias e posta alguma conversa em dia, dirigimo-nos à rua de S. Marcos para devolver as bicicletas alugadas por alguns participantes. Braga ainda não tem um sistema público de bicicletas partilhadas, mas já tem bicicletas para alugar a turistas e não só.

Para alguns a pedalada terminava ali, mas para outros a noite continuaria ainda até mais tarde, na mesma esplanada onde havia começado. Tive ainda a oportunidade de conversar com o Carlos, que gentilmente se disponibilizou para ajustar a pressão dos meus pneus, e com o Sérgio, um dos organizadores dos Encontros com Pedal.

Regressei então a casa - de bicicleta, claro!

Foi bom partilhar algumas horas em tertúlia cultural - que é o que foi este Encontro com Pedal - com alguns utilizadores habituais da bicicleta como meio de transporte, e algumas pessoas que ainda estão a nutrir a sua vontade de passarem a dar um uso utilitário à bicicleta de forma regular.

Nesta página é possível visualizar as fotos do evento. A próxima edição (que promete!), está já agendada para o mês de setembro.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Braga ciclável - Do Carandá ao Campus de Gualtar (Univ. Minho)

No âmbito da nossa rubrica intitulada Braga Ciclável, vamos publicando alguns dos percursos utilizados diariamente pelas pessoas que se deslocam de bicicleta na cidade de Braga.

O percurso de hoje é o efetuado pelo leitor Pedro Carvalho, para se deslocar diariamente entre a zona do Carandá e a Universidade do Minho:

Sou estudante na UM e por isso faço o percurso diariamente. Demoro entre 15 minutos (devagar) e 10 minutos (mais apressado) que é o tempo que demorava nos autocarros (43) sem contar com esperar nas paragens, atrasos e falhas de serviço (mto comuns) etc.

Infelizmente não existe nem ciclovia nem vias cicláveis e seguras. Cruzo-me com vários ciclistas, seja a caminho da rodovia seja a caminho da UM. Um corredor ciclável que ligasse o centro aos polos universitários e de desporto (rodovia, piscinas, ciclovia) ao centro é essencial e urgente.

Aqui vai o mapa com os percursos que utilizo em segurança.

Acrescento ainda que é uma pena as margens junto ao rio este estarem tão subaproveitadas.

E ainda parabéns pelo blog e as várias iniciativas como esta!

um abraço ciclista!
Pedro de Carvalho

[Clique aqui para ver o trajeto no Google Maps]

Legenda:

  • Verde: sentido correto de trânsito e ciclável
  • Amarelo: percurso pedestre
  • Vermelho: escadas
  • Azul: caminho alternativo

Diz-nos ainda o Pedro que o percurso assinalado a azul no mapa acima é o seu trajeto preferido: é em terra, mas só tem 2 cruzamentos e pouco trânsito de peões. Neste momento, contudo, está cortado por causa do parque insuflável e das obras junto ao rio.

Obrigado pela dica, Pedro!

A linha azul permite evitar peões e automobilistas, pelo que é fácil perceber o motivo desta preferência por parte do Pedro.

Pessoalmente, gostaria de ver implementado pelas autoridades competentes um percurso com piso ciclável (nota: não vale piso de terra, nem paralelo, nem asfalto esburacado!…), cuja utilização não ficasse limitada a bicicletas de todo-o-terreno. A Av. João XXI / Av. João Paulo II será para tal um excelente ponto de partida: bastaria promover uma ligeira acalmia de trânsito (p.ex. velocidade máxima real de 50Km/h) e implementar uma faixa ciclável, exclusiva ou partilhada apenas com transportes públicos, com linha contínua e sinalização horizontal e vertical.


P.S.: Um destes dias, prometo publicar aqui um artigo dedicado exclusivamente à temática das ciclovias. Num mundo ideal, poderia haver ciclovias em todas as artérias e arteríolas da cidade. Num outro mundo ideal, talvez mais consciente da necessidade de articular eficientemente a relação custo/benefício, as bicicletas poderiam circular lado a lado com os restantes veículos, em segurança, fruto de um Código da Estrada mais protetor, de algumas medidas eficazes de ordenamento de trânsito e de uma mentalidade geral mais evoluída entre os motoristas.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

6ª Massa Crítica de Braga (edição especial de S. João)

Realizou-se na passada 6ª feira, 24 de junho (dia de S. João), a 6ª Massa Crítica (ou Bicicletada) de Braga, cujo percurso se reproduz abaixo.

O evento contou com a participação de 12 ciclistas, entre os quais me encontrava eu, pela primeira vez. Confesso que cheguei a albergar a ingénua expectativa de uma maior adesão neste mês, por coincidir com o feriado municipal. No entanto, a perspetiva de um excelente dia de sol, aliado a um fim de semana prolongado, convidava também a umas mini-férias que compreensivelmente fizeram dispersar um pouco a população residente.

Depois de alguns momentos de conversa, e definida uma parte do percurso, saímos da Avenida Central pela Rua dos Chãos e seguimos pela Rua de S. Vicente em direção à rotunda de Infias, onde virámos para a Rua de Santa Margarida. O piso de paralelo destas últimas duas ruas é notoriamente desagradável, se não mesmo nocivo para a maior parte das bicicletas. No entanto, com um ritmo suave, lá fomos seguindo descontraidamente em grupo.

Virámos depois à esquerda na Senhora-a-Branca, passámos em frente à Junta de Freguesia de S. Vítor e descemos a Rua da Restauração até à Av. João XXI. Fomos seguindo por essa via, tomando posteriormente a Rua do Caires até à Estação de Braga. Dirigimo-nos então ao Arco da Porta Nova pela Rua Andrade Corvo e percorremos a Rua dos Biscainhos.

A intenção inicial era subir a Rua Dom Frei Caetano Brandão até à Sé de Braga mas, como estava a decorrer nesse momento uma procissão, optámos por contornar a Praça do Município e seguir pela Praça Conde de Agrolongo. Passámos assim pela Rua do Carmo (em frente ao Hotel Ibis) e pela Rua do Carvalhal.

Já na parte final do passeio, avançámos pela Rua de Santo André (parte traseira do centro comercial BragaShopping) em direção à Praça Mouzinho de Albuquerque. Descemos pela Rua de S. Gonçalo (junto ao Externato Paulo VI) e reentrámos na Avenida Central.

Terminámos pois no local de partida, onde um simpático ciclista (que por algum acaso não havia participado na bicicletada) se disponibilizou para nos tirar as fotos finais do evento.

O percurso que fizemos (e que eu por acaso acabei por não medir), terá cerca de 7km, segundo o Google Maps.

A velocidade média terá sido de 10 a 15 km/h, de modo a manter o grupo o mais unido possível. Creio que o conceito de Massa Crítica implica necessariamente que o grupo de ciclistas circule unido numa massa mais ou menos coesa. Isto permite que não haja separações em cruzamentos e semáforos, e aumenta a segurança dos ciclistas ao evitar que os motoristas mais impacientes façam ultrapassagens perigosas. Não foi fácil manter essa coesão no "pelotão", e creio que esse será um dos aspetos a melhorar nas próximas edições.


[Clique aqui para ver o trajeto no Google Maps]

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Fotos da 6ª Massa Crítica de Braga, e o meu comentário pessoal

Já estão disponíveis as primeiras fotos da 6ª Massa Crítica de Braga, que se realizou no dia de S. João, dia 24 de junho.


Foto de grupo, na Avenida Central, antes de iniciar o trajeto da Bicicletada.


Provavelmente o primeiro Bike Salute (ou Bike Lift) alguma vez realizado em Braga.


Aproveitei para decorar a bagageira da minha bicicleta com os cartazes que havia preparado.

O álbum completo (provavelmente ainda em construção) pode ser visualizado nesta página. Ao Meik, aproveito para agradecer a gentileza de ter cedido as suas fotos para publicação on-line. …

Esta foi a primeira vez que pude (finalmente!) participar numa Massa Crítica, e gostei. Tive pena de não haver tempo para um convívio mais alargado, mas foi bom sentir que a cidade é bem mais airosa quando pedalamos calmamente com outros ciclistas.

Costumo já circular diariamente de bicicleta nesta cidade, é certo, mas a companhia de um grupo de ciclistas como este contribui de uma forma extraordinária para manter os carros afastados, tornando o passeio bem mais calmo e prazeroso. As campainhas das bicicletas intercaladas de vez em quando com uma buzina de bicicleta à moda antiga resultavam numa espécie de música a fazer lembrar certos rituais relaxantes de origem oriental…

No regresso a casa, aproveitei para para numa bomba de gasolina, para retificar a pressão dos pneus da bicicleta, mas a coisa não correu como gostaria. Um dos pneus já não estava em bom estado e, após ter ameaçado durante uns 200 ou 300km, deu o seu derradeiro suspiro ali mesmo, à minha frente.

É, pois, altura de substituir pela primeira vez os pneus. Lá regressei o resto do caminho a pé até casa, que era ali perto (não, não foi preciso chamar nenhum reboque :-)

...e para quem não pôde participar nesta edição, convém lembrar que a Massa Crítica é um evento mensal, pelo que a próxima edição deverá acontecer já no dia 29 de julho (é sempre na última 6ª feira de cada mês). A Massa Crítica de Braga tem uma página no Facebook, que pode ser útil para obter informações sobre estes eventos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bicicletada de S. João, em Braga e não só

Tal como já vem sendo habitual, na última sexta-feira do mês - que desta vez calha amanhã, dia de S. João - realiza-se em várias cidades portuguesas e estrangeiras a Massa Crítica, ou Bicicletada. De norte a sul, e em diferentes continentes, os ciclistas urbanos (habituais ou esporádicos) unem-se para partilhar e celebrar a mobilidade sustentável. É uma oportunidade para partilhar experiências, divulgar a bicicleta enquanto meio de transporte útil e sensibilizar a população.

Em Braga, o ponto de encontro escolhido é o chafariz da Arcada (Av. Central, a partir das 18h30). Se estiver por perto de Braga, já sabe: pegue na sua bicicleta e venha para a rua celebrar a mobilidade sustentável!

Mais informações sobre este evento mensal estão disponíveis, como habitualmente, na página da Massa Crítica Braga, no Facebook, ou no site da Massa Crítica - Portugal.

Trata-se da 6ª edição da Bicicletada em Braga. E, se nada me impedir, espero finalmente poder participar pela primeira vez, esta sexta-feira. Vemo-nos por lá :-)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Braga ciclável: Da Estação até ao complexo industrial da Grundig

Por cortesia do Miguel Barbot, a quem agradecemos a amabilidade de nos ter indicado a pertinência deste artigo no blog Um Pé no Porto Outro no Pedal, apresentamos hoje o percurso do Vítor Silva, que se desloca diariamente de comboio e bicicleta entre o Porto e Braga.

Em Braga o percurso também é relativamente curto entre a estação e a empresa onde trabalho. Saio na Estação, subo a Rua dos Caires (um nome com muito potencial para piadas ciclísticas) até à igreja de Maximinos. Este bocado é a subir ligeiramente e em asfalto.

Depois entro pela Rua Peão da Meia Laranja e Rua Felicíssimo Campo (não, não estou a inventar estes nomes) até á rotunda com a Rua Cidade do Porto. A empresa onde trabalho fica a 50 metros daí. Este último bocado é em paralelo e a descer o que é excelente para relaxar e não ter que chegar ao trabalho ofegante.

À vinda para casa, o percurso em Braga é igual, mas mais cansativo porque sobe mais do que desce e porque o stress de conseguir apanhar o comboio obriga a esquecer qualquer cuidado para não começar a transpirar.

(O texto completo, que inclui o trajeto de bicicleta efetuado na cidade do Porto pode ser encontrado nesta página. Ao Vítor Silva e ao Miguel Barbot, agradecemos a dica.)

[Clique aqui para ver o trajeto no Google Maps]

Apesar de este ser um percurso relativamente curto, nem sempre é muito amigável para ciclistas. A existência de ruas e rotundas com várias faixas, o facto de se tratar de uma zona de alto tráfego automóvel e alguns pequenos ou grandes equívocos de ordenamento urbanístico tornam até certo ponto preferível um trajeto alternativo. A solução encontrada pelo Vítor Silva (através da Rua Peão da Meia Laranja) foge ao trânsito e, provavelmente, apresenta um desnível mais suave no regresso à Estação. A única desvantagem parece ser mesmo o piso em paralelo...

A título de sugestão, para quem chega a Braga de comboio e quer dirigir-se ao complexo industrial da Grundig, deixo à consideração um outro trajeto, indicado a verde no mapa acima, que implica sair mais cedo do comboio, no apeadeiro de Ferreiros (se o comboio parar em todos os apeadeiros). Esta é uma zona com pouca inclinação, que se faz bem de bicicleta em ambos os sentidos. Este trajeto faz sentido quando vimos num daqueles comboios que param em todas...

A combinação Comboio+Bicicleta é sem dúvida a que apresenta uma melhor relação em termos de custo versus tempo de viagem. Há uns meses, fiz também eu a experiência de uma viagem Braga-Porto-Braga, comparando o custo da várias opções de transporte e calculando a poupança resultante de usar comboio e bicicleta. Pode ser visto aqui.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Braga ciclável - Do Campus de Gualtar (Univ. Minho) até ao centro da cidade

Há dias, inaugurámos neste espaço uma nova rubrica intitulada "Braga ciclável", onde serão publicados alguns dos percursos utilizados diariamente pelas pessoas que se deslocam de bicicleta na cidade de Braga.

O leitor Miguel Borges aceitou o desafio e partilhou connosco a rota que utiliza regularmente para se deslocar da zona de Gualtar (Universidade do Minho, Hotel Meliã...) para o centro da cidade:

Costumo fazer a ligação Gualtar-Centro com o seguinte percurso "expresso":

Av. João Paulo II desde o McDonalds até aos semáforos da 31 de Janeiro. Depois, subo a 31 de Janeiro pela faixa da esquerda; No topo da 31 de Janeiro faço o mesmo que tu, meto-me no interior prazenteiro da avenida central.

Devo dizer-te que este percurso se faz com tranquilidade (apesar da velocidade dos veículos na JPII, o facto de haverem 3 faixas deixa a faixa da direita com margem para seguir confiante) e exige apenas um pouco de destreza na rotunda J.P.II/Julio fragata. Caso neste ponto falte coragem, é desmontar e fazer as passadeiras :)

[Clique aqui para ver o trajecto no Google Maps]

Trata-se, efetivamente, de um percurso fácil de memorizar e de executar de bicicleta. O piso é bom, há bastante espaço para partilhar com os restantes veículos, há poucas curvas e boa visibilidade, o que nos permite chegar rapidamente até ao centro de Braga, sem grandes dificuldades. Na Av. 31 de Janeiro, há uma pequena inclinação, mas é tão ligeira que quase nem se nota.

Em poucos minutos, conseguimos ir sem esforço desde a zona da Universidade do Minho até ao Teatro Circo, à Loja do Cidadão ou a uma das muitas esplanadas no centro da cidade.

Obrigado pela dica, Miguel!

domingo, 5 de junho de 2011

Braga ciclável - Do BragaParque até ao centro da cidade e à Sé de Braga

Depois de ter conhecido há dias a excelente iniciativa do Miguel Barbot, no seu blog Um pé no Porto e outro no pedal, de mapear os percursos cicláveis da cidade do Porto a partir dos relatos dos próprios ciclistas, apercebi-me que essa era também uma necessidade por estes lados. Decidi, por isso, tentar fazer algo do género para a cidade de Braga.

Já nem me lembrava eu que, há pouco mais de um ano, essa havia sido precisamente uma das minhas principais dúvidas - quais os melhores percursos para ir de um ponto a outro na cidade de Braga, em bicicleta. Na falta de um mapa de percursos cicláveis, acabou por ser um processo de aprendizagem por tentativa e erro, auxiliado de quando em vez pelos serviços de mapas on-line.

Então, aqui vai o primeiro desses mapas.

[Clique aqui para ver o trajecto no Google Maps]

Nas minhas deslocações para o trabalho e para mais uma série de pequenas coisas, tenho necessidade de ir diariamente desde a Av. Antero de Quental (junto ao BragaParque) até ao centro de Braga. Como se sabe, em Braga não há ciclovias, e, na verdade, até não são assim tão necessárias quanto isso. Há, isso sim, uma enorme necessidade de vias cicláveis, que é um conceito bem diferente, potencialmente mais útil e bem menos dispendioso.

A rota assinalada no mapa abaixo a azul representa o percurso que faço atualmente de bicicleta num dia normal. A verde, indico uma alternativa um pouco mais legal, mas com alguns inconvenientes. Durante algum tempo, usei este percurso alternativo como forma de evitar circular ilegalmente em ruas que têm um dos sentidos reservado aos transportes públicos. No entanto, como obrigava a sucessivas paragens em cruzamentos, subidas desnecessárias e utilização de uma rua com piso irregular (calceta), acabei por passar a efetuar quase sempre o trajeto pela Rua D. Pedro V (a azul).

Este é talvez o percurso mais confortável em termos de qualidade do piso e níveis de inclinação, para quem se desloca de bicicleta entre a zona do BragaParque e e o Centro. É também um percurso com pouca circulação automóvel (à excepção do ponto negro que refiro abaixo). Os motoristas dos transportes públicos têm sido impecáveis, e a maior parte dos automobilistas também. Ocasionalmente, há um ou outro automobilista ou condutor de trator agrícola que é menos compreensivo, mas felizmente são uma pequena minoria.

A Avenida Pe. Júlio Fragata (parte desta espécie de auto-estrada situada em torno do centro da cidade de Braga) é sem dúvida o ponto negro deste percurso: apesar de ter um piso excelente para qualquer veículo, as velocidades excessivas dos veículos motorizados tornam este trecho um tanto ou quando arriscado para quem circula de bicicleta, a velocidades consideravelmente mais baixas. Por outro lado, a sinalização horizontal obriga os veículos (bicicletas incluídas) a mudar de faixa antes do entroncamento da R. Dom António Bento Martins Junior. Isto obriga o ciclista a meter-se no meio de automóveis e camiões que não esperam cruzar-se com velocípedes, apesar de, à partida, não existir nenhum impedimento legal à circulação das bicicletas nesta via.

Quanto ao trecho entre a Rua D. Pedro V e a Rua de S. Victor, em termos estritos, o trânsito neste sentido está reservado apenas aos transportes públicos. No entanto, as bicicletas conseguem circular com facilidade, exceto quando há carros estacionados em segunda fila ou em contramão. Seria ótimo se a Câmara Municipal de Braga criasse aqui um corredor BUS+Bici!

Ao chegar ao início da Av. Central, o percurso prevê a saída da bicicleta da via principal (que tem um desagradável piso calcetado) para uma rua paralela que está geralmente reservada ao trânsito pedonal e a veículos de moradores. Uma vez mais, na ausência de uma via ciclável com piso decente até junto à Arcada, creio que seria boa ideia abrir este percurso e o próprio centro histórico à circulação de bicicletas, com a devida sinalização e regulamentação.

O mapa pode ser visto em mais detalhe nesta página.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Meditando a partir das Conversas no Tanque...

Tive a oportunidade de estar presente esta noite na Velha-a-Braga, durante uma edição das Conversas no Tanque dedicada ao tema da mobilidade urbana em bicicleta, onde pudemos escutar na primeira pessoa os testemunhos de Miguel Barbot (Um pé no Porto e outro no pedal) e Sérgio Moura (De Bicicleta no Porto).

Falou-se um pouco de tudo - da escolha da bicicleta certa para pedalar na cidade, das ciclovias, dos capacetes, das alterações que é preciso fazer ao Código da Estrada, dos mitos dos declives, dos exemplos de Amesterdão ou Portland, da falta de estacionamento para bicicletas, do impacto positivo do uso da bicicleta na qualidade de vida das pessoas e na sua relação com a sua cidade, etc...

Isto de eleger a bicicleta como meio de transporte preferencial é uma coisa simples, mas que tem muito que se lhe diga. Há inúmeras questões de ordem prática, que interessam aos utilizadores desse meio de transporte. Mas há muitas outras questões. Por exemplo, nas áreas da Educação (a necessidade de formar peões, ciclistas e automobilistas responsáveis desde o início da idade escolar), do Urbanismo (localização das áreas habitacionais, a falta de uma rede de vias realmente cicláveis a unir os principais pontos da cidade, os estacionamentos para bicicletas, a integração com transportes públicos) e da Legislação (a necessidade de rever o Código da Estrada dando mais proteção e prioridade aos ciclistas).

Tirando o facto de a assistência a este tipo de eventos ser, como habitualmente, reduzida a um pequeno grupo de pessoas, diria que esta reunião soube a pouco, porque muito haveria ainda para conversar. Mas ainda assim, seria bom que os temas abordados chegassem aos ouvidos de certas classes dirigentes da cidade de Braga.

Num futuro mais ou menos próximo, talvez outros eventos um pouco mais formais possam vir a contar com representações oficiais das juntas de freguesia, da câmara municipal e de outras instituições responsáveis pelo planeamento urbano. Quem sabe, possa até proceder-se à elaboração de um conjunto de atas a fornecer à comunicação social e a essas mesmas instituições.

...

O futuro da bicicleta em cidades como Braga passa também, em grande medida, pela promoção efetiva deste meio de transporte junto da população escolar e universitária (incluindo alunos e docentes). É algo que não pode ser descurado, pelo que é necessário sensibilizar e envolver associações de pais (quem é que não gostaria de ver os seus filhos a pedalar em segurança até à escola, em vez de enfrentar uma fila de carros?...), alunos, docentes e ainda os diretores das escolas.

Para quê? Para ajudar os órgãos decisores a delinear soluções práticas e funcionais em termos de urbanismo, mas sem descurar a educação do público jovem numa área tão importante como é a circulação rodoviária. O objetivo seria, a médio prazo, criar condições para que muitos pais acompanhassem os seus filhos à escola em bicicleta e que os alunos mais crescidos passassem a utilizar esse meio de transporte na deslocação casa-escola, em segurança.

Para quem vive numa cidade como Braga e não anda de bicicleta nem se interessa por estas questões, pode parecer um cenário idílico e idealista. Mas não é. Há escolas portuguesas onde já se promove o uso da bicicleta - e onde a bicicleta é efetivamente utilizada pelos alunos.

Hoje é dia de Bicicletada (Massa Crítica)

Tal como já vem sendo habitual, na última sexta-feira do mês - que por acaso é hoje mesmo - realiza-se em várias cidades portuguesas e estrangeiras a Massa Crítica (ou bicicletada). De norte a sul, e em diferentes continentes, os ciclistas urbanos (habituais ou esporádicos) unem-se para partilhar e celebrar a mobilidade sustentável. É uma oportunidade para partilhar experiências, divulgar a bicicleta enquanto meio de transporte útil e sensibilizar a população.

O contexto de grupo aumenta a visibilidade das bicicletas, tornando assim um pouco mais segura a sua circulação na via pública, no trânsito. Em todo o caso, dado que este evento decorre ao final da tarde, nunca é demais lembrar que é boa ideia levar roupas claras e, sobretudo, usar refletores e luzes nas bicicletas.

Em Braga, o ponto de encontro escolhido é o chafariz da Arcada (Av. Central, a partir das 18h30). Se estiver por perto de Braga, já sabe: pegue na sua bicicleta e venha para a rua celebrar a mobilidade sustentável!

Mais informações estão disponíveis na página da Massa Crítica Braga, no Facebook, ou no site da Massa Crítica - Portugal.

Apareçam!