domingo, 16 de outubro de 2011

Sobre a necessidade de ciclovias

Sempre que se fala de promoção do uso da bicicleta na cidade, discute-se a necessidade de ciclovias. Não sou nenhum perito em urbanismo ou em ordenamento de trânsito mas, enquanto cidadão e utente das ruas e da bicicleta, tenho algumas humildes opiniões sobre o assunto. Acrescente-se a isto que a minha experiência e as minhas sugestões mais específicas referem-se quase sempre à cidade de Braga, onde resido atualmente e onde vou votar em todas as eleições (leram bem isto, senhores governantes?).

As ciclovias, se forem bem pensadas e bem implementadas no contexto de uma rede de vias cicláveis (ou seja, o conjunto dos diferentes tipos de vias onde circularão as bicicletas na cidade e arredores), podem ser uma peça importante na criação de condições para uma maior utilização da bicicleta nesta cidade.

Devem ligar de forma lógica e integrada, e bidireccionalmente, todos os pontos principais da cidade, incluindo as estações terminais de transportes públicos, zonas e centros comerciais, polos empresariais ou industriais, zonas habitacionais, áreas de lazer e de desporto, escolas e universidades.

Na concepção de vias cicláveis segregadas (ciclovias, ciclofaixas…), deve evitar-se alguns erros infelizmente muito comuns. Por exemplo: roubar espaço aos peões para criar ciclovias, manter zonas de perigo junto à faixa de rodagem reservada a ciclistas (como lugares de estacionamento sem separador nem distância de segurança) ou permitir ou facilitar a circulação de peões ou de veículos motorizados. Outro erro comum que deve ser evitado é a atribuição de uma largura insuficiente, que impede o cruzamento (nas vias de dois sentidos) ou a ultrapassagem por outros ciclistas, em condições de segurança. É particularmente delicada nestas infra-estruturas a intersecção entre vias, pelo que deve ser dada a devida atenção à cuidadosa planificação de entroncamentos, cruzamentos e rotundas. Mau exemplo de como se implementa uma ciclovia, no Porto

Não creio que todas as vias cicláveis tenham de ser necessariamente ciclovias, mas em alguns casos essa é a melhor opção. O importante é que a cidade seja repensada globalmente em função da desejada mobilidade sustentável e seja criada uma rede de vias cicláveis - um mapa da cidade que possa ser proposto aos cidadãos que já usam ou que desejam começar a utilizar de forma regular a bicicleta como meio de transporte.

Mas há mais medidas que fazem falta... Por exemplo:

  • Estacionamentos para bicicletas em quantidade adequada, em locais próprios e com um design funcional.
  • Criação de corredores Bici+Bus (ou eventualmente, Bici+Bus+Moto) em ruas que actualmente têm sentido único apenas para transportes públicos. Um exemplo paradigmático é a Rua D. Pedro V, onde esta medida deveria ser acompanhada, na minha opinião, por uma fiscalização mais assídua do estacionamento ilegal e eventual redução das áreas reservadas a estacionamento automóvel.
  • Promoção da intermodalidade(p.ex., comboio + Bicicleta), assegurando as condições necessárias ao transporte de bicicletas nos comboios entre Braga e outras cidades, e divulgando amplamente essa opção económica e ecológica junto dos estudantes universitários e dos trabalhadores que fazem diariamente essa viagem.
  • Acalmia de tráfego, isto é, a redução da velocidade máxima em certas vias, e a devida fiscalização. Ainda há dias, na vizinha Espanha, vi agentes da autoridade a fiscalizarem uma "zona 30" com radar de segurança. Aqui além de praticamente ainda não existirem zonas 30, pura e simplesmente não existe fiscalização e quase ninguém cumpre os limites de velocidade dentro das localidades.
  • Criação de mais zonas amplas para os cidadãos: retirar espaço aos carros e devolvê-lo prioritariamente a peões, regulando devidamente o seu uso por parte de veículos. Em algumas cidades, existem ruas em que as crianças podem brincar em segurança: os carros e demais veículos são obrigados a respeitar os peões reduzindo a velocidade e dando-lhes sempre prioridade. Em Barcelona, as bicicletas podem usar determinados passeios, mas reduzindo a sua velocidade máxima para 15km/h para evitar acidentes com peões.

Seria interessante e muito útil que algum académico realizasse um estudo com rigor científico, no que se refere à questão da mobilidade sustentável em Braga. Talvez algo do género do que fez o Eng. Paulo Guerra Dos Santos na cidade de Lisboa. Uma análise sistematizada das vantagens de cada meio de transporte, e mesmo da intermodalidade, em diferentes cenários; dos obstáculos actualmente existentes a uma mobilidade mais sustentável e promotora de uma maior qualidade de vida para os cidadãos; e ainda das soluções mais indicadas, numa lógica de conjunto, para esta cidade.

Será que já algum dia alguém da Universidade do Minho elaborou alguma tese sobre estes assuntos?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

4000km a pedalar: "Fui de Portugal até à Ucrânia de Bicicleta"

4 mil quilómetros de bicicleta

Podia ser esta a primeira frase deste artigo, se em vez de ir trabalhar a cada dia tivesse partido de bicicleta há um ano e meio em direção ao oriente e percorresse a distância que por cá fui pedalando entretanto.

Foi há cerca de 1 ano e meio que comprei a minha primeira bicicleta e comecei a ir nela para o trabalho, todos os dias. O conta-quilómetros (ou conta-voltinhas, como alguém simpaticamente o chamava um destes dias) marca agora 3977Km. Antes do final desta semana, irá passar a marca dos 4 mil quilómetros percorridos.

É um número que não te importância nenhuma, afinal de contas. Mas ainda assim, é bom olhar para trás ver que fomos capazes de escolher uma opção mais ecológica e económica, contra aquela que é ainda a visão e a prática da maioria, e tornar essa prática a nossa rotina diária normal. Ao longo deste tempo, o carro passou a ter a utilização que lhe é própria, ou seja, só é usado quando tal é mesmo necessário.

Como qualquer mudança na vida, foi preciso alguma aprendizagem e alguma persistência. Mas vale bem a pena! Sentir o vento fresco na cara (ou mesmo a chuva, quando a há) é uma experiência que não tem preço: faz-nos sentir vivos e mais próximos da cidade que nos rodeia. A cidade passa a ser de certa forma o nosso quintal, a nossa vizinhança, como se deixasse de existir uma fronteira invisível entre nós e o mundo.

Há muitos bons motivos para escolher a bicicleta como meio de transporte. Mas, independentemente de quais sejam, é sempre apenas o início de uma transformação ainda maior, cujas vantagens vamos conhecendo e colhendo ao longo do tempo…

sábado, 1 de outubro de 2011

Um pequeno teste técnico...

Este artigo é um pequeno teste necessário à verificação do correto funcionamento técnico do blog. Queiram por favor desculpar a maçada, e muito obrigado pela vossa compreensão.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

9ª Massa Crítica em Braga

Tal como já vem sendo habitual, na última sexta-feira do mês realiza-se em várias cidades portuguesas e estrangeiras a Massa Crítica, ou Bicicletada. De norte a sul, e em diferentes continentes, os ciclistas urbanos (habituais ou esporádicos) unem-se para partilhar e celebrar a mobilidade sustentável. É uma oportunidade para partilhar experiências, divulgar a bicicleta enquanto meio de transporte útil e sensibilizar a população.

Em Braga, o ponto de encontro escolhido é o chafariz da Arcada (Av. Central, a partir das 18h30). Se estiver por perto de Braga, já sabe: pegue na sua bicicleta e venha para a rua celebrar a mobilidade sustentável!

Mais informações sobre este evento mensal estão disponíveis, como habitualmente, na página da Massa Crítica Braga, no Facebook, ou no site da Massa Crítica - Portugal.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ah!… e mais um vídeo!

Bem… estava mesmo a fechar o tasco por hoje, quando me entrou mais este vídeo porta adentro. Na RTP, foram entrevistados dois voluntários do projeto Bike Buddy, também eles utilizadores assíduos da bicicleta como meio de transporte no seu dia-a-dia. Mais bons exemplos a seguir.

Afinal, não foi mesmo um dia perdido, e parece que muita coisa se passou por esse país fora, em matéria de promoção da mobilidade sustentável. Eu é que estava atento a outras coisas :-)

No Dia Mundial Sem Carros… (vídeo)

…seria de esperar um cenário idílico, sem carros, com muita gente a circular a pé ou de bicicleta, ou mesmo de transportes públicos. Seria de esperar um dia muito diferente. Mas nem por isso. Em Braga, pelo menos, foi praticamente um dia igual a tantos outros. Estranho, não é?

Felizmente, para animar um pouquinho o que restava do meu dia, tropecei algures neste vídeo inspirador. Uma pessoa normal, como tantas outras afinal, para quem todos os dias podem ser verdadeiramente, e simplesmente, Dias Mundiais Sem Carros. Porque não?

O presidente da Câmara Municipal da Murtosa é ele mesmo um utilizador habitual da bicicleta como meio de transporte, e tem também promovido a opção por este meio de transporte junto da instituição a que preside. Um verdadeiro exemplo a seguir pelos nossos governantes, e não só.