Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A bicicleta na Revista SIM

Acaba de me passar pelas mãos o mais recente número da Revista SIM e, lá dentro, mais uma edição da série "Vidas com Pedal", desta vez com um retrato deste vosso amigo…

"Vidas com pedal" é o nome de uma interessante série de artigos, da autoria de Sérgio Parente, sobre algumas das pessoas que usam quotidianamente a bicicleta na cidade de Braga. Para quem não sabe, o Sérgio, psicólogo de profissão e também ele um notável ciclista urbano desta mesma cidade, é fundador e coordenador do movimento comunitário bracarense "Encontros com Pedal".

Aqui fica o boneco… Fiquei um bocadinho mais sério na fotografia do que esperava, mas a bicicleta sempre aligeira um pouco a coisa, espero! :-)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pedalando em Braga: Pedro Carvalho

Pedro Carvalho tem 30 anos e vive na cidade de Braga (Portugal). Há vários anos que usa a diariamente bicicleta como meio de transporte, nas suas deslocações do dia-a-dia. Vejamos o que tem para nos contar...

Há quanto tempo vais de bicicleta para o trabalho?
Aqui em Braga, há 2 anos. Ao início, o trânsito caótico chocava-me e ia apenas de Bus. Depois comprei a minha bici atual em segunda mão, e tenho-a usado diariamente. Quando estudei na Universidade de Évora, também usei a bici diariamente durante a licenciatura.

Porque decidiste começar a ir de bicicleta?
Sempre tive uma paixão enorme pela bicicleta, e desde novo que a bicicleta era o meio para muita diversão. O facto de Braga ter montes e corta-fogos era um incentivo para grandes corridas.

Para mim, a bicicleta foi uma extensão de mim próprio que me permitia chegar rapidamente a qualquer lugar na cidade.

Ter viajado por vários países fez-me acreditar que é possível viver na cidade e contribuir para uma melhor cidade usando a bicicleta. Quando voltei para Braga, aos poucos comecei a habituar-me ao trânsito.  

Que distância percorres nesse percurso? Que tempo demoras?
Normalmente, acho que são 2km. A duração varia com a pressa: 10 ou 15mins, para cada lado. 

Quais têm sido, no teu caso, as vantagens práticas de utilizar a bicicleta como meio de transporte preferencial?
Como eu preferencialmente não conduzo, só vejo vantagens práticas em relação ao Bus e a andar a pé. No meu dia-a-dia, desloco-me rapidamente a qualquer ponto do centro da cidade, ao meu ritmo, sem trânsito, sem desconforto. Qualquer poste, árvore ou corrimão serve para "estacionar". E os 20~30 minutos diários de exercício físico sempre ajudam com o bem-estar.  

De bicicleta só quando dá sol… ou também quando o tempo é mais agreste?
Normalmente uso o Bus nos meses de novembro, dezembro e janeiro e nos dias de chuva mais intensa. Nos restantes, uso um impermeável e o para-lamas na bici.

Que tipo de bicicletas tens?
Tenho esta Specialized Hardrock pro de 2004. É uma bicicleta incrível e muito bem construída. Como uso-a maioritariamente na cidade, troquei-lhe os pneus para estes mais urbanos. Durante os dias de chuviscos, uso um para-lamas da Topeak muito práticos de tirar e pôr. Tenho uma grande estima por esta bici e apesar de viver num apartamento, nunca a deixo nem na rua nem na garagem. Trago-a sempre aos ombros para casa. O número de bicicletas roubadas é assustador.

Qual o equipamento que usas no teu dia-a-dia de ciclista?
Por vezes, levo uma tshirt ou camisa para troca, e ando de bici com a roupa que uso. Prefiro ir mais devagar ou nas subidas levá-la à mão se tiver algum compromisso. Tenho um capacete que já teve mais utilização, um cadeado preso ao selim, uma campainha e, normalmente, uma mochila. Tenho grande confiança na minha bici e nunca levo ferramentas. Nada de luzes, porque não ando na estrada à noite.

Qual a tua ocupação atual?
Trabalhador-Estudante (de Informática).

O que dizem as pessoas quando lhes contas que vais regularmente de bicicleta para o trabalho/universidade?
Que faço bem e que se pudessem também faziam o mesmo. Concordam que o trânsito é o maior detrimento para o uso de bici.

Tens alguma peripécia relacionada com o uso da bicicleta, divertida ou interessante, que queiras partilhar?
O mais divertido é poder partilhar os passeios com boa companhia. Durante o ano passado fui a quase todas as massas críticas do Porto e gostei muito de poder fazer parte da massa e das amizades que fiz. Ainda não consegui ir a nenhuma cá em Braga mas espero ir finalmente na próxima.

Para meu descontentamento já vou no terceiro cadeado com esta bici. No primeiro, parti a chave dentro do cadeado e em frente a um hipermercado no centro. Arranjei uma serra e durante uns 15mins estive a serrar o cadeado… decidi não comprar mais um cadeado daquela largura! E ainda bem, porque o seguinte já foi dos com código. Uma estranha combinação de eventos levou a que o código deixasse de funcionar. E a serra voltou a ser usada em plena cidade...

Praticas algum tipo de desporto, para além do teu percurso diário de bicicleta?
Ando a tentar praticar parkour mas não vou longe. Corro de vez em quando.

O que pensas da cidade de Braga, no que se refere às infraestruturas rodoviárias existentes e à relação com os ciclistas?
Acho terrível. Ter visto o empenho que é feito noutras cidades para devolver a cidade às pessoas deixa-me triste que o mesmo não seja feito cá. A ciclovia existente aqui é, talvez feita com boa intenção, a meu ver muito inútil. Talvez daqui a uns anos, quando aquela zona se desenvolver, se torne útil.

Existe um percurso que faço que liga diretamente o centro ao extremo este da cidade, que se fosse pavimentado e cuidado seria uma excelente oportunidade para revitalizar a zona junto ao rio Este.

A nível nacional, o facto de as bicicletas ainda não terem prioridade sobre os restantes veículos no código de estrada, assim como outras medidas como poder usar a faixa bus, mostra que não há ainda uma vontade de mudar.

Pior ainda é a atitude dos condutores em geral. O ciclista é visto ainda como um empecilho na estrada e, muitas vezes, um alvo.  

Nota: Um dos percursos habituais do Pedro foi publicado há aqui há algum tempo e pode ser consultado nesta outra página.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Braga ciclável: Da Estação até ao complexo industrial da Grundig

Por cortesia do Miguel Barbot, a quem agradecemos a amabilidade de nos ter indicado a pertinência deste artigo no blog Um Pé no Porto Outro no Pedal, apresentamos hoje o percurso do Vítor Silva, que se desloca diariamente de comboio e bicicleta entre o Porto e Braga.

Em Braga o percurso também é relativamente curto entre a estação e a empresa onde trabalho. Saio na Estação, subo a Rua dos Caires (um nome com muito potencial para piadas ciclísticas) até à igreja de Maximinos. Este bocado é a subir ligeiramente e em asfalto.

Depois entro pela Rua Peão da Meia Laranja e Rua Felicíssimo Campo (não, não estou a inventar estes nomes) até á rotunda com a Rua Cidade do Porto. A empresa onde trabalho fica a 50 metros daí. Este último bocado é em paralelo e a descer o que é excelente para relaxar e não ter que chegar ao trabalho ofegante.

À vinda para casa, o percurso em Braga é igual, mas mais cansativo porque sobe mais do que desce e porque o stress de conseguir apanhar o comboio obriga a esquecer qualquer cuidado para não começar a transpirar.

(O texto completo, que inclui o trajeto de bicicleta efetuado na cidade do Porto pode ser encontrado nesta página. Ao Vítor Silva e ao Miguel Barbot, agradecemos a dica.)

[Clique aqui para ver o trajeto no Google Maps]

Apesar de este ser um percurso relativamente curto, nem sempre é muito amigável para ciclistas. A existência de ruas e rotundas com várias faixas, o facto de se tratar de uma zona de alto tráfego automóvel e alguns pequenos ou grandes equívocos de ordenamento urbanístico tornam até certo ponto preferível um trajeto alternativo. A solução encontrada pelo Vítor Silva (através da Rua Peão da Meia Laranja) foge ao trânsito e, provavelmente, apresenta um desnível mais suave no regresso à Estação. A única desvantagem parece ser mesmo o piso em paralelo...

A título de sugestão, para quem chega a Braga de comboio e quer dirigir-se ao complexo industrial da Grundig, deixo à consideração um outro trajeto, indicado a verde no mapa acima, que implica sair mais cedo do comboio, no apeadeiro de Ferreiros (se o comboio parar em todos os apeadeiros). Esta é uma zona com pouca inclinação, que se faz bem de bicicleta em ambos os sentidos. Este trajeto faz sentido quando vimos num daqueles comboios que param em todas...

A combinação Comboio+Bicicleta é sem dúvida a que apresenta uma melhor relação em termos de custo versus tempo de viagem. Há uns meses, fiz também eu a experiência de uma viagem Braga-Porto-Braga, comparando o custo da várias opções de transporte e calculando a poupança resultante de usar comboio e bicicleta. Pode ser visto aqui.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pedalando em Lisboa e Margem Sul do Tejo: Raquel Guerreiro

Raquel Guerreiro tem 25 anos (mas muita gente lhe pergunta se tem 18), e utiliza diariamente a sua pasteleira ninja em conjunto com os transportes públicos para se deslocar na zona de Lisboa. Vejamos o que tem para nos contar...

Há quanto tempo vais de bicicleta para o trabalho/universidade?
Há cerca de 10 meses mais coisa menos coisa.

Porque decidiste começar a ir de bicicleta?
Há três anos visitei a Dinamarca e fiquei espantada com o modo de vida deles, em particular com o uso da bicicleta. Quando voltei a Portugal não pude implementar aquilo que tinha visto, pois vivia muito longe de onde estudava/trabalhava. No ano passado fui viver para mais perto e assim que tive a vida organizada passei a usar a bicicleta e os transportes públicos.

Que distância percorres nesse percurso? Que tempo demoras?
Faço 6 quilómetros até ao barco do Seixal (entre 15 a 25 minutos, depende da pedalada) e depois menos de um quilómetro entre a estação de comboio da Cruz Quebrada até ao meu destino (o tempo depende dos semáforos, mas nunca mais de 4 ou 5 minutos).

Quais têm sido, no teu caso, as vantagens práticas de utilizar a bicicleta como meio de transporte preferencial?
Tantas! Poupo centenas de euros por mês, ganho saúde, mantenho-me em forma, não poluo, tenho menos stress, tornei-me mais consciente da minha cidade, formei um blog, participo em atividades relacionadas com mobilidade sustentada, conheci imensas pessoas e fiquei muito mais pro-ativa em questões relacionadas com a cidadania e a qualidade de vida em Portugal.

De bicicleta só quando dá sol… ou também quando o tempo é mais agreste?
De bicicleta sempre que posso. Quando o tempo é agreste sou corajosa até certo ponto, o frio, nevoeiro, chuva moderada ou calor intenso nunca me incomodaram, mas quando está muito vento ou muita chuva deixo a bicicleta em casa.

Que tipo de bicicleta tens?
Tenho uma pasteleira, que é excelente para transportar coisas. Costumo dizer que ela é uma pasteleira ninja pois vem equipada com suspensões, pneus mais largos e 6 mudanças para facilitar nas subidas. Uso-a sempre que posso para ir trabalhar e para ir para a faculdade.

Qual o equipamento que usas no teu dia-a-dia de ciclista?
Uso a minha roupa normal e capacete nem vê-lo! Sou uma forte aderente do cyclechic. Na verdade até já reparei que quando vou de bicicleta tenho tendência para me vestir um pouco melhor. Em termos de iluminação pus uma luz na traseira para ser mais visível de noite.

Qual a tua ocupação atual?
Trabalho num laboratório de fisiologia com atletas de alto rendimento e estou a tirar um mestrado em Treino de Alto Rendimento.

O que dizem as pessoas quando lhes contas que vais regularmente de bicicleta para o trabalho/universidade?
Já tive as mais diversas reações. Olhares de pena, comentários engraçadinhos, comentários insultuosos, reações de admiração, espanto e até já convenci umas quantas pessoas a experimentarem. Depende muito de com quem falamos.

Tens alguma peripécia relacionada com o uso da bicicleta, divertida ou interessante, que queiras partilhar?
Muitas! A mais surrealista foi um grupo fotógrafos que me “apanharam” e perguntaram se me podiam fotografar com a minha bicicleta. Eu disse que sim e em plena rua fizemos uma sessão fotográfica. Foi muito engraçado, senti-me uma estrela!

Praticas algum tipo de desporto, para além do teu percurso diário de bicicleta?
Sempre fiz muito desporto e não consigo conceber a minha vida de outro modo. Pratiquei taekwondo durante 13 anos, pelo meio fiz kickboxing, muay-thai, natação, basquete, ténis… Faço algo sempre que posso e gosto de variar.

O que pensas da tua cidade, no que se refere às infraestruturas rodoviárias existentes e à relação com os ciclistas?
As infraestruturas são poucas e muito fraquinhas e a relação com os ciclistas é muito pobre. No entanto tenho que admitir que vejo esforço por parte de certas pessoas e instituições para melhorar este panorama, e pouco a pouco lá se vai conseguindo qualquer coisa.

sábado, 2 de abril de 2011

Reportagem na RTP sobre o uso da bicicleta no Porto

A RTP transmitiu estes dias no Jornal da Tarde uma reportagem sobre o uso crescente da bicicleta como meio de transporte na cidade do Porto. Como anfitrião principal, aparece o Sérgio Moura, arquiteto de profissão e fotógrafo nas horas vagas, e também ele um convicto ciclista urbano.

País - Cada vez mais pessoas começam a ir de bicicleta para o emprego - RTP Noticias, Vídeo

terça-feira, 8 de março de 2011

Pedalando em São Paulo: Maurício Alcântara

Maurício Alcântara tem 26 anos e vive na cidade de São Paulo (Brasil). Há precisamente um ano, decidiu deixar o carro em casa e passar a ir de bicicleta para o trabalho. Para ele, o uso da bicicleta traduz-se em agilidade, economia e prazer. Vejamos o que tem para nos contar...

Há quanto tempo vais de bicicleta para o trabalho?
Vou ao trabalho de bicicleta há apenas 1 ano, exatamente. Comecei em dezembro de 2009.

Porque decidiste começar a ir de bicicleta?
Foram vários fatores. Um deles é geográfico: há 1 ano me mudei da casa de meus pais para o centro de São Paulo. Meu trajeto cotidiano, que antes ultrapassava 50 Km percorridos diariamente, agora é de no mínimo 10 Km, considerando ida e volta.

Outro aspecto foi uma questão ética: antes dirigia diariamente por uma das avenidas mais importantes de SP, a Marginal Tietê (uma avenida assustadoramente feia, que beira o poluído rio Tietê, é de uma violência absurda ao meio ambiente e ao olhar). Teve um dia, em junho de 2009, em que saí tarde do trabalho e presenciei uma obra do governo do estado derrubando árvores centenárias, na calada da noite, para as obras de expansão que aconteceram ali para tornar a avenida mais trafegável aos carros particulares. Depois desse dia, decidi que não teria mais carro por não compactuar com essa violência contra a cidade.  

O terceiro aspecto é meu interesse na pesquisa acadêmica do urbanismo e da relação das pessoas com as cidades (em especial a relação do paulistano com SP) - a bicicleta confere o resgate do que eu chamo de dimensão humana da cidade, que foi perdida a partir do momento em que a topologia, a geografia e o habitat passaram a ser despercebidos pelo corpo e pelos sentidos de quem vive nesse ambiente urbano, graças à adoção do motor como intermediário castrador dessa relação entre o indivíduo e a cidade.  

Ainda tem o fator sedentarismo: não pratico esportes pois não tenho paciência para atividades físicas que consumam meu tempo sem me oferecer nada em troca além da pratica esportiva por si só. Em troca do esforço físico, a bicicleta ainda me oferece deslocamento ágil até meus destinos, o prazer de circular pela cidade em um ritmo muito mais humano e muito mais livre e ainda o prazer de interagir e fazer amizade com outros ciclistas, que estão aumentando na cidade. 

Que distância percorres nesse percurso? Que tempo demoras?
5 Km de ida, mais 5 de volta. Demoro em torno de 15 a 25 minutos, dependendo do ritmo que eu escolher. Este ano devo iniciar uma nova graduação, e isso deve adicionar cerca de 10 Km adicionais a meu trajeto diário.  

Quais têm sido, no teu caso, as vantagens práticas de utilizar a bicicleta como meio de transporte preferencial?
Listei algumas há pouco, mas ressalto, principalmente: agilidade, economia e prazer.  

De bicicleta só quando dá sol… ou também quando o tempo é mais agreste?
Depende mais de minha agenda do que do clima. Se tenho reuniões com clientes no começo ou no final do dia (quando posso ir ou voltar direto para casa, sem passar pela agência onde trabalho), prefiro o transporte público. Como chove muito em São Paulo sobretudo durante o verão, faço o possível para que isso não seja um impeditivo para ir de bicicleta - sempre carrego uma capa para proteger a bicicleta da chuva durante o dia (o local onde a guardo não é coberto), e me preparo para que minhas coisas não se molhem no trajeto. Só não gosto de ir de bicicleta quando já chove no momento em que saio de casa, por precisar sair com mais antecedência para não chegar atrasado (afinal o processo de chegar, me enxugar e me trocar em dias de chuva toma um tempo bem maior).

Que tipo de bicicletas tens?
Tenho uma mountain bike que é a bicicleta que uso cotidianamente para ir e voltar do trabalho, e tenho uma Caloi 10 de 1982, que é um modelo clássico de bicicleta de estrada muito popular nos anos 70 aqui no Brasil, que uso mais como veículo "de passeio". 

Qual o equipamento que usas no teu dia-a-dia de ciclista?
Uso roupas comuns, do dia a dia (não gosto de "me fantasiar" de ciclista). Na mochila ou no bagageiro sempre carrego ferramentas e acessórios que posso precisar em caso de emergência (bomba, remendo para pneu, chaves diversas, capa de chuva especial para o alforge), além de travas e cadeados. Sempre alterno entre o alforge, a mochila ou uma bolsa transversal (Timbuk2), dependendo da quantidade de coisas a serem transportadas e do clima. De equipamento de segurança, uso somente luzes e capacete (este também com luzes).

Qual a tua ocupação actual?
Sou publicitário, trabalho com planejamento criativo em uma agência de comunicação digital.

O que dizem as pessoas quando lhes contas que vais regularmente de bicicleta para o trabalho?
Em geral enxergam isso como uma excentricidade. Desde os anos 50, no Brasil (acho que em muitos outros lugares também, mas aqui isso acentua-se muito, ao menos aos olhos de quem não pensa assim), carros são sinônimos de poder, status e progresso - para a maioria das pessoas é inconcebível não andar de carro quando se tem poder aquisitivo para fazê-lo. No entanto, muita gente já está tão saturada do martírio que são os congestionamentos, os custos abusivos de manutenção de um carro, da perda de tempo diária, que já começa a enxergar com simpatia a ideia. Ao longo desse 1 ano, éramos duas bicicletas estacionadas no bicicletário de meu trabalho. Hoje já são cerca de 10. Depois que comecei a usar a bicicleta regularmente, muita gente já sinalizou simpatia pela ideia - e ao menos 3 ou 4 pessoas efetivamente aderiram à bicicleta na cidade, ainda que em caráter experimental/de lazer.

Tens alguma peripécia relacionada com o uso da bicicleta, divertida ou interessante, que queiras partilhar?
Quando comecei a andar de bicicleta, tive um imenso incentivo por parte de amigos que já pedalavam por São Paulo. Como retribuição a esse "empurrão" que tive, faço o possível para auxiliar todos os amigos e colegas que sinalizam algum interesse pela prática. Por isso, vez ou outra publico em meu blog (www.maucantara.com) textos que buscam desmistificar a prática, para que as pessoas enxerguem menos como uma atividade excêntrica e mais como uma outra possibilidade. Não necessariamente melhor que outras, mas que também não é necessariamente ruim como muitos acham. Andar de bicicleta não é necessariamente sinônimo de suor, pobreza ou iminência constante da morte como as pessoas imaginam.

Praticas algum tipo de desporto, para além do teu percurso diário de bicicleta?
O único esporte (ou desporto, hehe) que tento praticar com alguma regularidade é a natação. Como disse anteriormente, não tenho paciência para os demais...

O que pensas da cidade de São Paulo, no que se refere às infra-estruturas rodoviárias existentes e à relação com os ciclistas?
São Paulo é uma cidade assustadoramente austera a qualquer pessoa, seja de carro, de transporte público, de bicicleta. A cidade é grande, cresceu vertiginosamente em pouco menos de 100 anos, sem o devido cuidado das autoridades para definir diretrizes que garantissem uma qualidade mínima dos serviços públicos para comportar esse crescimento. Praticamente inexistem ciclovias, e as poucas iniciativas que existem ainda tratam a bicicleta mais como um veículo de lazer do que como uma modalidade de transporte metropolitano. E pelas dimensões de São Paulo, torna-se praticamente impossível uma malha cicloviária que dê conta da cidade toda. Por isso, a grande luta dos ciclistas em São Paulo é para conquistar respeito nas próprias ruas, que são espaços que é nosso por direito (assegurado pelo código de trânsito brasileiro). Mas como os motoristas estão acostumados com iniciativas públicas que somente privilegiam o transporte privado e individual, andar de bicicleta é um exercício que também assume um caráter educativo e de militância (daí a importância da Massa Crítica, que aqui foi batizada como Bicicletada). No fundo, percebe-se que a maioria dos motoristas vê com bons olhos quem trafega de bicicleta, e que é uma minoria que não quer saber conviver com essa diversidade.  

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Testemunhos a pedal: Eduardo Petta

O blog Um pé no Porto e outro no pedal acaba de publicar o segundo artigo da série Testemunhos a pedal.

O perfil apresentado desta vez é o do jornalista brasileiro Eduardo Petta, colaborador de revistas como National Geographic Brasil, Vida Simples e TAM, entre outras, e doutorando em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Eduardo Petta "commuta” diariamente entre as cidades de Vila Nova de Gaia e Braga, e fez a excelente opção de combinar nesse percurso diário a bicicleta e o comboio. Vale a pena ler!

O artigo completo pode ser encontrado nesta página.

Também de grande interesse é o primeiro artigo dessa mesma série, em que é recolhido o testemunho de Sérgio Moura, autor do blog De Bicicleta no Porto. Pode ser lido nesta outra página.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pedalando no Porto: Alice jeri

Alice Jeri tem 22 anos e estuda no Porto (Portugal), uma cidade que ainda carece profundamente de infra-estruturas adequadas ao uso generalizado da bicicleta. Apesar disso, a Alice decidiu fazer da sua bicicleta a companheira indispensável para as deslocações do dia-a-dia. Vejamos o que tem para nos contar...

Pedalando no Porto: Alice Jeri

Há quanto tempo vais de bicicleta para a universidade?
Cerca de 2 anos e meio.

Porque decidiste começar a ir de bicicleta?
Na minha cidade de origem, Ovar, a bicicleta é o meio de transporte indiscutível, sobretudo para os adolescentes. Ao vir estudar e viver para o Porto não pensei que me fosse ser útil, além de achar o Porto uma cidade acidentada! No entanto, ao diversificar as actividades, acabei por passar a gastar muito tempo em deslocações na cidade e foi então que um amigo que pertencia à Massa Crítica me falou deste movimento e me convenceu a trazer a bicla para a Invicta.


Que distância percorres nesse percurso? Que tempo demora?
1,5 km, 7 minutos.

Quais têm sido, no teu caso, as vantagens práticas de utilizares a bicicleta como meio de transporte preferencial?
Trazer a bicicleta para o Porto foi uma grande melhoria na minha qualidade de vida! Para além das aulas, estou envolvida em várias actividades que decorrem maioritariamente na zona da Baixa - que consegue ser interminável quando percorrida a pé e muito mais acessível de bicicleta. Para além do tempo que poupo, há a acrescentar o dinheiro em transportes... e sobretudo no stress, pela segurança de chegar sempre no tempo planeado.

De bicicleta só quando dá sol… ou também quando o tempo é mais agreste?
Praticamente todos os dias, só mesmo quando "chovem picaretas" é que a encosto.

Que tipo de bicicletas tens?
Duas de montanha, bastante simples e ambas para usos do dia-a-dia (uma em Ovar e outra no Porto).

Qual o equipamento que usas no teu dia-a-dia de ciclista?
As luzes estão em falta... nenhum vestuário específico. Trago uma chave comigo para apertar o volante que por vezes se solta. De resto a bicicleta tem um cesto traseiro, pelo que não uso normalmente alforges. Ocasionalmente, capacete.

Qual a tua ocupação actual?
Estudante de medicina.


Pedalando no Porto: Alice Jeri


O que dizem as pessoas quando lhes contas que vais regularmente de bicicleta para a universidade?
Normalmente as reacções são positivas e de encorajamento, embora não poucas vezes seguidas de um "eu não era capaz, mas...."

Tens alguma peripécia relacionada com o uso da bicicleta, divertida ou interessante, que queiras partilhar?
Durante este verão participei com alguns amigos portugueses no "Ecotopia Biketour", uma viagem de bicicleta que percorre todos os anos um diferente trajecto europeu e que reúne participantes de muitos países com as preocupações ambientais e o gosto pelas pedaladas em comum. Embora toda a viagem decorra de forma comunitária, não pedalamos sempre a par... certo dia de grande tempestade, e após pedalar 6h apenas com um amigo por caminhos secundários, sem bússola, sem sol e com os mapas encharcados, a situação tornava-se desesperada. Faltavam ainda mais de 20 km para o destino mas estávamos razoavelmente perdidos, encharcados, esgotados... e acima de tudo sem comida, numa altura em que caía já a noite. À beira do pânico bati à porta da primeira casa para pedir comida. A recepção foi a melhor possível! Além das sandes de chocolate com café e de bons dois dedos de conversa, ainda nos deram boleia de carrinha para a estação mais próxima :)

Praticas algum tipo de desporto, para além do teu percurso diário de bicicleta?
Sim, judo.

O que pensas da cidade do Porto, no que se refere às infra-estruturas rodoviárias existentes e à relação com os ciclistas?
As infra-estruturas dificilmente poderiam ser piores... As ruas da baixa são geralmente estreitas, com passeios acanhados, trânsito em sentido único e uma fila de carros estacionada - que a ser retirada poderia transformar a rua em duplo sentido, pelo menos para bicicletas. As bicicletas são obrigadas a andar muitas vezes em contra-mão ou nos passeios para não fazer desvios incomportáveis. As ciclopistas turísticas, como a da Foz, estão mal desenhadas obrigando a circuitos ilógicos. O piso da cidade é desadequado e o civismo dos automobilistas deixa muito a desejar... Apitadelas, "apertões" e mesmo insultos são a ordem do dia. Faz falta uma política de planeamento que devolva as cidades às pessoas!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Convite aos leitores que já pedalam para todo o lado

Dentro de alguns dias iremos inaugurar neste espaço uma nova rubrica com depoimentos pessoais (tipo mini-entrevistas) de pessoas que usam regularmente a bicicleta como veículo utilitário (para ir de casa para o trabalho etc.).

Se já usa a bicicleta como meio de transporte no seu dia-a-dia e está disposto a "dar a cara" por esta ideia, por favor contacte-nos para o email sempredebicicleta@gmail.com!



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Foto: Bicicleta como transporte útil na Túnisia

Para chegar ao nosso destino com as nossas coisas, não é preciso gastar muito dinheiro num carro ou numa bicicleta topo-de-gama. É o que nos demonstra este simpático cavalheiro mais a sua fiel companheira, na cidade de Tunes (capital da Tunísia).

A bicicleta como transporte útil, na Tunísia

Video: Um caso inspirador

Este senhor teria todas as desculpas para dizer que ir de bicicleta para o trabalho era má ideia. Mas, surpreendentemente, defende precisamente o contrário. É um caso inspirador, não é? :-)